McCain vincula Obama a ''radicais''

Na reta final da campanha, republicano questiona ligações de democrata com palestino e líderes comunistas

AP, NYT e The Guardian, Washington, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2008 | 00h00

Na reta final para a votação de terça-feira, a equipe do republicano John McCain intensifica seus ataques contra o democrata Barack Obama para tentar reverter os números desfavoráveis nas pesquisas de intenção de voto. As acusações de McCain vão desde a ligação do democrata com um acadêmico palestino até a comparações com líderes comunistas.Para tentar reduzir a vantagem de Obama em Estados-chave como a Flórida - onde grande parte da população é composta por judeus -, McCain e sua companheira de chapa, Sarah Palin, questionam quais seriam os vínculos de Obama com o historiador americano de origem palestina Rashid Khalidi. Antes disso, os republicanos já tinham tentado ligar Obama a supostos terroristas e radicais - como Bill Ayers, acusado de planejar explosões contra o governo dos EUA nos anos 60, e o pastor Jeremiah Wright, autor de polêmicos discursos sobre raça."Parece que há um outro professor radical que passava muito tempo com Barack Obama há alguns anos", disse Sarah durante um comício em Ohio na quarta-feira à noite. "Isso é importante porque o amigo dele (Obama), Rashid Khalidi, (...) é também um ex-porta-voz da Organização de Libertação da Palestina (OLP)." A campanha de Obama respondeu aos ataques, afirmando em seu site que "as feias insinuações sobre o relacionamento com um ex-vizinho e colega de universidade são completamente falsas". Khalidi, que é professor da Universidade Colúmbia, em Nova York, também negou as acusações.Os assessores de Obama contra-atacaram, afirmando que McCain também tem ligações com Khalidi. Nos anos 90, o Instituto Internacional Republicano - do qual McCain é presidente - pagou cerca de US$ 400 mil para o Centro de Pesquisas e Estudos Palestinos, fundado por Khalid, fazer levantamentos.A discussão sobre os vínculos entre Obama e Khalidi foi levantada pelos republicanos na quarta-feira, após McCain criticar o jornal Los Angeles Times por não ter divulgado um vídeo de um jantar do qual os dois participaram em 2003.?MEDO COMUNISTA?Seguindo sua estratégia de prejudicar a imagem de Obama na Flórida - Estado crucial para a eleição -, McCain pediu o voto da comunidade de 1 milhão de cubanos no Estado apelando para o medo do comunismo.Nas ruas do bairro de Little Havana, em Miami, onde McCain esteve quarta-feira, havia uma palavra para descrever o tipo de mudança que Obama promete: "Comunismo", disse Michael Garcia, de 30 anos, filho de cubanos exilados. "As coisas que Obama diz me assustam porque são as mesmas que dizia Fidel Castro. São coisas que, na minha cabeça, estão associadas a trilhar o caminho na direção do comunismo."O apoio dos cubanos é fundamental para McCain se ele espera sair vitorioso na Flórida. No tradicional enclave republicano de Little Havana, a menor alusão ao socialismo traz de volta memórias desagradáveis àqueles que se exilaram por causa do regime de Fidel, uma psicologia à qual McCain apelou na quarta-feira. "O senador Obama está se candidatando a ?distribuidor-chefe?. Eu estou me candidatando a comandante-chefe", disse o republicano. "Obama quer socializar a riqueza e eu quero aumentar a riqueza."ACUSAÇÕES Anti-semita: Campanha republicana acusa o democrata Barack Obama de ter vínculos com o acadêmico palestino Rashid Khalidi, qualificado de "radical"Terrorismo: John McCain e Sarah Palin questionam a suposta amizade entre Obama e Bill Ayers, acusado de planejar explosões contra o prédios do governo dos EUA nos anos 60 Racismo: Republicanos também questionam o envolvimento do candidato democrata com o pastor Jeremiah Wright, autor de polêmicos discursos sobre raça Ideologia política: McCain acusa Obama de ser "socialista" por querer "dividir a riqueza" nos Estados Unidos

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