REUTERS/Kevin Lamarque
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Me culpar pelo Trump? De jeito nenhum, diz Obama

Ele pediu aos conservadores preocupados com a situação do partido 'reflitam sobre o que tem essa política com a qual eles se engajaram que permite o circo que nós estamos vendo acontecer'

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 21h07

WASHINGTON - Ele tem sido atacado em vários temas relacionados a Washington, mas em relação a esse assunto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estabeleceu um limite: a ideia de que ele seria responsável pela ascensão de Donald Trump e pela consequente confusão no Partido Republicano.

"Eu tenho sido acusado pelos republicanos por um monte de coisas, mas ser culpado pelas primárias deles e por quem eles estão escolhendo (como candidato) para o partido deles é algo novo”, afirmou Obama durante uma entrevista à imprensa nesta quinta-feira. "O que eu não vou fazer é validar uma noção de que a divisão republicana que está acontecendo é uma consequência de ações que eu tive”, disse o presidente democrata.

Obama foi perguntado como ele encarava ser identificado como a causa da ascensão de Trump a favorito na corrida republicana para escolher o candidato presidencial para as eleições de 8 de novembro. Obama pareceu gostar da pergunta, respondendo tanto com uma crítica séria aos republicanos, quanto com uma ironia incisiva direcionada a Trump.

O bilionário de Nova York tem boa vantagem na disputa republicana depois das primeiras seis semanas de prévias, mas o seu estilo bombástico e declarações sobre muçulmanos, imigrantes e comércio têm decepcionado muitos do seu partido. Líderes partidários temem que Trump perca para o nomeado pelo Partido Democrata nas eleições de novembro para substituir Obama.

Obama, cujo período na Casa Branca foi marcado pela resistência constante à maior parte das suas políticas pelos republicanos no Congresso, já disse antes que ele se arrependia de não ter sido capaz de diminuir a polarização entre os dois partidos em Washington. No entanto, ele zombou nesta quinta-feira da suposição de que o seu governo havia alimentado o caos entre os republicanos.

Veículos de informação conservadores convenceram a base política republicana durante sete anos de que a cooperação com o presidente era uma “traição” e posições “absolutistas maximalistas” eram vantajosas, afirmou Obama. Ele dava a entrevista junto com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que o visitava.

Num clara provocação a Trump, Obama declarou que não havia levado os críticos a questionarem a sua cidadania americana ou o nascimento no Havaí. Antes de lançar a sua campanha no ano passado, Trump foi um dos líderes do chamado movimento “birther”, que acreditava que Obama havia nascido no exterior e não era habilitado para ser presidente, até ele mostrar o seu certificado de nascimento no Havaí para superar o assunto.

"O que vocês estão vendo dentro do Partido Republicano são, em certo grau, todos aqueles esforços durante um período de tempo criando um ambiente onde alguém como um Donald Trump pode prosperar”, afirmou Obama. Ele também mirou em dois dos rivais de Trump na corrida republicana, dizendo que a posição do magnata do setor imobiliário sobre imigração não era muito diferente da dos senadores Ted Cruz e Marco Rubio.

Obama pediu para que os conservadores preocupados com a situação do partido “reflitam sobre o que tem essa política com a qual eles se engajaram que permite o circo que nós estamos vendo acontecer”. / REUTERS 

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