Jay Reeves/AP
Jay Reeves/AP

Média diária de mortes provocadas pela variante Ômicron nos EUA supera pico da Delta

Aumento ocorre após o surto de casos em dezembro e janeiro provocado pela variante altamente infecciosa e fez disparar o número de novos casos e internações

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 16h38

WASHINGTON - A média diária de mortes causadas pela covid-19 nos Estados Unidos excedeu o pico alcançado durante o surto provocado pela variante Delta, predominante até ser substituída pela atual Ômicron. Segundo dados da Johns Hopkins University, a média de sete dias para mortes por covid-19 relatadas atingiu 2.258 na terça-feira, um aumento de cerca de mil mortes da contagem diária há dois meses. Foi o número mais alto desde 15 fevereiro de 2021, quando foram registradas 2.293 mortes. 

O aumento ocorre após o surto de casos em dezembro e janeiro provocado pela variante altamente infecciosa e fez disparar o número de novos casos e internações. A elevação da média diária de mortos da Ômicron ultrapassou a de mortes causadas pela variante Delta - mais grave -, quando a média de sete dias atingiu o pico de 2.078 em 23 de setembro do ano passado. Isso ainda está abaixo do pico de 3.422 vidas perdidas por dia registradas pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) em 13 de janeiro de 2021, quando as vacinas estavam sendo lançadas.

A maioria das mortes nos EUA, como mostrou o Our World in Data, tem ocorrido entre não vacinados, que continuam expostos à Ômicron. Segundo autoridades americanas, vacinados, especialmente os que receberam as doses de reforço, possuem alta proteção contra versões severas da doença e morte, e apresentam sintomas leves ou ficam assintomáticos. 

"Vai demorar um pouco até vermos diminuir as mortes, pois pessoas muito doentes com covid permanecem hospitalizadas por muito tempo", disse Wafaa El-Sadr, professor de epidemiologia e medicina da Universidade de Columbia, em Nova York.

Com o surto da Ômicron, os sistemas hospitalares de New Jersey ao Novo México falharam sob o grande número de pacientes trazidos pela variante aparentemente menos grave, mas altamente infecciosa, levando o governo federal a enviar ajuda médica militar a seis Estados. 

“Mais variantes infecciosas tendem a percorrer uma população muito rapidamente”, disse El-Sadr. "Mesmo que essas novas variantes causem doenças menos graves (particularmente entre os vacinados), provavelmente ainda veremos um aumento nas hospitalizações e mortes devido à vulnerabilidade dos não vacinados e dos que não receberam as doses de reforço." 

As hospitalizações por covid-19 ainda estão batendo recordes em alguns Estados, incluindo Arkansas e Carolina do Norte. Nacionalmente, eles estão agora abaixo de 147 mil, em comparação com um pico de 152.746 em 20 de janeiro, segundo uma contagem da Reuters. 

Os casos em todo o país caíram 12% nos últimos sete dias em comparação com os sete anteriores, segundo a análise, levando algumas autoridades de saúde a adotar um tom cautelosamente otimista sobre a trajetória da pandemia. 

"Certamente atingiu seu pico em certas regiões do país", disse Anthony Fauci, principal autoridade de doenças infecciosas do país, em entrevista à MSNBC na segunda-feira. "Acredito que nas próximas semanas veremos - como país - que tudo está mudando." /Com Reuters 

 

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