Mediadores da OMC revelarão novas propostas sobre Doha

Abertura do comércio global poderá acabar caso acordo não ocorra, teme OMC

Laura MacInnis, da Reuters

13 Julho 2007 | 14h56

Os mediadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentam na próxima semana as propostas que podem dar um rumo à Rodada de Doha ou significar o fim do processo de abertura comercial global. As negociações da rodada para a redução de tarifas, subsídios agrícolas e maior abertura comercial, lançadas em 2001 na capital do Catar, encalharam no ano passado, em grande parte devido à resistência de alguns países a abrirem setores "sensíveis", como arroz, laticínios, vestuário e autopeças, à competição estrangeira. Jeremy Hobbs, diretor-executivo da ONG humanitária Oxfam International, disse que as novas propostas podem "salientar as diferenças ao invés de mostrar o caminho para o consenso". "Ninguém deve subestimar a complexidade desta negociação entre 150 países com interesses tão divergentes. Embora seja fato que todos saibam o que realmente é preciso acontecer para que haja acordo, simplesmente não há vontade política para isso", afirmou. Propostas As perspectivas da Rodada de Doha, que pode colaborar para a redução na pobreza no mundo se acabar bem-sucedida, ficaram ainda mais sombrias no mês passado com o fracasso de um encontro entre Brasil, Índia, EUA e União Européia, em que novamente não houve acordo sobre a redução de tarifas e subsídios agrícolas e abertura de mercados industriais. Nos documentos a serem divulgados na segunda ou terça-feira, os presidentes das comissões negociadores da OMC para agricultura e indústria devem propor cortes variáveis para os subsídios e tarifas, abrindo um intervalo dentro do qual os países poderiam encontrar o consenso. As reações iniciais aos documentos serão essenciais para o futuro da Rodada de Doha, que o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, pretende concluir ainda em 2007, para evitar o contágio político das campanhas eleitorais da Índia e dos EUA no ano que vem. Se qualquer um dos 150 países da OMC rejeitar os textos dos presidentes como base para as negociações, diplomatas dizem que a Rodada de Doha deve passar vários anos congelada. ´Benéfica´ Muitos governos parecem ter dificuldades de convencer seus eleitores de que a Rodada de Doha será benéfica, segundo Axel Dreher, professor-assistente de Economia no Instituto Federal de Tecnologia, em Zurique, Suíça. "Parte do problema é como vendê-lo", disse Dreher. "Quem seriam os vencedores desta rodada? Em geral, são os países pobres que ganhariam. Nos países desenvolvidos haveria redistribuições. Os consumidores em geral ganhariam com este acordo, e os agricultores em geral perderiam", avaliou. Na opinião dele, um pacto na OMC levaria a uma redução no preço dos alimentos, mas os benefícios não seriam preponderantes aos lobbies agrícolas e industriais contrários à Rodada de Doha. Crawford Falconer, embaixador neo-zelandês na OMC e presidente das discussões agrícolas, divulgou em abril uma versão preliminar do seu texto em que diz que Estados Unidos e Europa precisam reduzir seus subsídios e tarifas agrícolas. Já o embaixador canadense no órgão, Don Stephenson, que preside as discussões industriais, não divulgou um texto preliminar. Nesse caso, a maior pressão é pela redução das tarifas de importações industriais nos países em desenvolvimento. Ambos os diplomatas disseram que pretendem revisar seus textos pelo menos uma vez depois da análise pelos negociadores. Se as propostas forem bem-recebidas, ministros de Comércio poderiam ser convocados em setembro à sede da OMC, em Genebra, para tentar novamente concluir o acordo que, segundo o Banco Mundial, acrescentaria cerca de 96 bilhões de dólares por ano à economia global.

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