Mediadores da União Africana apresentam plano de paz para Darfur

Mediadores da União Africana (UA) apresentaram o rascunho de um acordo de paz e desenvolvimento para Darfur, no oeste do Sudão, e pedem sua rápida assinatura e implementação pelos partidos da região. Os medidores da UA na capital nigeriana entregaram o primeiro documento para delegados de paz na noite de terça-feira. Sete rodadas de negociações anteriores falharam em pôr um fim aos dois anos de luta que criaram uma das piores crises humanitárias do planeta. Mais de 180 mil pessoas morreram nos conflitos e cerca de 2 milhões tiveram de deixar suas casas. "É a hora da decisão. Chega de procrastinação, chega de táticas de atraso", disse o chefe dos mediadores, Ahmed Salim Ahmed, em um comunicado que acompanha o projeto. Termos do acordo O acordo, distribuído por e-mail nesta quarta-feira pela UA, contém uma resposta às queixas de grupos rebeldes de Darfur, que alegam negligência por parte do governo sudanês. O documento pede que o presidente inclua um cidadão de Darfur, que inicialmente deve ser indicado pelos rebeldes, entre seus conselheiros. O rascunho também pede o estabelecimento de um fundo de reabilitação, no qual doadores internacionais contribuiriam para a suspensão de taxas escolares para estudantes de Darfur por cinco anos e a adoção de um plano nacional contra a pobreza. Os mediadores também propõem que a população de Darfur vote em 2010 para determinar a criação de uma entidade geográfica única formada pelos três estados atuais. Esta proposta é remanescente de um tratado que encerrou em janeiro uma guerra que já dura 21 anos entre o norte e o sul do Sudão. O tratado usado na ocasião parece ter inspirado o rascunho de Darfur. A UA determinou um prazo até o domingo e Ahmed afirma que espera obter uma reposta dos partidos até quinta-feira. O governo e grupos rebeldes ainda não teceram comentários sobre a proposta. Depois de muitas negociações sem sucesso, Ahmed pediu aos dois lados que façam concessões. "Se vocês fizerem isso, mostrarão ao mundo que aceitaram o princípio de que a guerra é um anacronismo e não uma solução". Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado Adam Ereli disse que o projeto do acordo da UA "é um importante passo nos esforços para trazer paz ao conflito. Pela primeira vez um documento apresenta uma solução para todas as questões: divisão da riqueza, divisão de poder e segurança". Décadas de confrontos entre tribos por causa de terra e água em Darfur geraram uma erupção de violência no começo de 2003, quando grupos étnicos armados acusaram as nações do Leste Africano de negligência. Janjaweed O governo central é acusado de responder ao conflito enviando militantes tribais árabes, conhecidos como Janjaweed, para assassinar e estuprar civis. O Sudão nega o apoio aos Janjaweed. A proposta pede ainda o desarmamento dos Janjaweed e que alguns rebeldes se integrem ao Exército e às forças de segurança. Outros deverão ser desarmados. Ainda na terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a imposição de sanções contra quatro homens, oficiais do governo, líderes Janjaweed e comandantes rebeldes, envolvidos no conflito de Darfur. Os quatro são acusados de orquestrar e realizar assassinatos e outros crimes na região. A imposição foi a primeira do gênero no conflito. Diplomatas esperam que as sanções adicionem um novo ímpeto às negociações. Britânicos e americanos sugeriram que podem adotar mais medidas caso o conflito continue, apesar de outros membros do conselho terem apresentado uma postura mais cautelosa.

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