Médica cubana deixa embaixada argentina em Havana

A neurocirurgiã cubana Hilda Molina, impedida há dez anos pelo presidente Fidel Castro de visitar os familiares em Buenos Aires, deixou quinta-feira à tarde a embaixada da Argentina em Havana e voltou para casa. Ela passou mais de 24 horas na embaixada como ?hóspede?, em meio a rumores sobre um pedido de asilo político ao governo argentino. ?Não sei de onde saiu isso (o suposto pedido de asilo)?, disse à imprensa em sua casa. Ela afirmou que foi à embaixada argentina em Havana na manhã de quarta-feira e lá permaneceu até às 5 horas da tarde de quinta-feira. Mas ninguém a viu sair, apesar do grande número de jornalistas, estrangeiros principalmente, de plantão no local. A médica contou que ela e sua mãe, de 86 anos, foram à representação diplomática argentina para fazer uma teleconferência com o filho, Roberto Quiñones, naturalizado argentino, e os netos. Mas a anciã se sentiu mal e os representantes diplomáticos argentinos ?ofereceram sua hospitalidade? até ela se recuperar, o que aconteceu só no dia seguinte. ?Não teve nada a ver com pedido de asilo?, enfatizou a médica, que descartou qualquer interesse em obter status de refugiada política. Hilda, de 61 anos, há dez anos vem pedindo ao governo de Fidel Castro autorização para viajar a Buenos Aires em visita ao filho, nora e netos. O presidente argentino, Nestor Kirchner, enviou uma carta a Fidel Castro solicitando a autorização para a médica passar o Natal em Buenos Aires com os familiares. Mas Castro respondeu com um convite para Quiñones viajar a Havana. "Ninguém vai me forçar a ir a Cuba", disse Quiñones ontem em Buenos Aires. Segundo Quiñones, a negativa de Castro em dar permissão para a mãe viajar se deve ao fato dela ter renunciado em 1994 ao cargo de diretora de um centro médico especializado. ?Isso bastou para ser considerada dissidente pelo regime cubano?, afirma Quiñones. O incidente na embaixada causou mal-estar entre os governo de Havana e Buenos Aires.

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