Medicina é nova locomotiva da economia de Cuba

Cuba, que até pouco tempo dependia do turismo e da exportação de charutos e níquel para sobreviver, vem desenvolvendo um vigoroso setor de saúde que poderá transformar a economia do país. Segundo dados do Ministério da Saúde, a indústria do turismo (avaliada em US$ 1,8 bilhão) será superada em breve pelas empresas de biotecnologia, de exportações de vacinas e pelo fornecimento de serviços de saúde para outros países.Os bem-sucedidos testes clínicos em vários países já estabeleceram Cuba como líder mundial em pesquisa e tratamento de câncer.No ano passado, o orçamento de Cuba para a saúde foi impulsionado pelas exportações de produtos de biotecnologia - que dobraram para US$ 300 milhões - pelo atendimento a pacientes estrangeiros e pela exportação de outros produtos médicos, equipamentos e máquinas de diagnóstico.Também no ano passado, uma empresa de biotecnologia foi aberta na China, em um empreendimento conjunto em que Havana oferece a transferência de tecnologia para tratamentos de câncer. Neste ano, Cuba está de olho no ocidente.A empresa alemã de biotecnologia Oncoscience está realizando testes clínicos com o remédio anti-câncer TheraCIM h_R3, que espera registrar. A Cancervax, empresa da Califórnia, deve testar outro tratamento cubano contra o câncer depois de Washington ter concordado em abrir uma exceção para o embargo comercial."Se conseguirmos acesso ao mercado ocidental, o setor de alta tecnologia poderá se tornar a locomotiva de toda a economia cubana", disse o médico Rolando Perez, do Centro de Imunologia Molecular (CIM).Motor para o crescimento Desde que assumiu o poder em 1959, Fidel Castro tenta criar uma potência médica global, mas foi apenas em 1991, depois do colapso da União Soviética - que apoiava a ilha financeiramente - que o setor de saúde se tornou uma potencial fonte de receita.Nos anos 90, Cuba se tornou o primeiro país a desenvolver e comercializar a vacina contra a meningite B, o que aumentou as exportações do país. As vacinas do país contra a hepatite B são fornecidas para 30 países, entre eles China, Índia, Rússia, Paquistão e países da América Latina.Agora, a esperança é que o setor de saúde ajude a transformar Cuba, cuja economia sofre depois de 40 anos de punições comerciais dos Estados Unidos e duas décadas de má administração econômica de Fidel Castro.Recursos humanos Segundo Fidel, o modelo de desenvolvimento de Cuba é baseado no direcionamento da riqueza para os recursos humanos e ciência para criar uma economia baseada no conhecimento em torno da saúde. O presidente começou os investimentos em biotecnologia ainda nos anos 80. Duas décadas depois, as perspectivas de Cuba em uma era pós-Fidel parecem boas, com o setor de saúde em expansão e uma economia que nasce baseada no conhecimento.Cuba mantém médicos em missões humanitárias no exterior e recebe estudantes estrangeiros para graduação nas prestigiadas escolas de Medicina do país. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a ilha conta com um médico para cada 170 pacientes, em média, número superior ao dos EUA, onde a média é de um médico para cada 188 pacientes.Cuba também fez um acordo com a Venezuela, país para o qual presta serviços de saúde em troca de petróleo, num valor estimado de US$ 1 bilhão.

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