Médico abandonou cirurgia para operar Sharon

Durante 15 horas, o futuro de Israel, e talvez de todo o Oriente Médio, esteve nas mãos do neurocirurgião argentino José Cohen, de 39 anos. Ele conduziu as três cirurgias no cérebro do primeiro-ministro Ariel Sharon. A primeira delas, logo após a chegada do premier, inconsciente, ao Hospital Haddassah, em 7 de janeiro, e que só teve início depois que Cohen interrompeu outra operação em que estava envolvido. Abaixo, alguns trechos da entrevista, que será publicada na íntegra na edição desta quinta-feira de O Estado de S. Paulo.Estado - O senhor estava no hospital quando o primeiro-ministro chegou?Cohen - Naquele dia eu estava de plantão, e estava operando noutra sala de cirurgia quando me pediram para chamar um substituto e vir avaliá-lo.Estado - O senhor saiu na metade de outra cirurgia para ir atender o primeiro-ministro?Cohen - Exatamente, era quase o fim da cirurgia, de modo que não houve inconveniente.Estado - Ele foi imediatamente submetido à cirurgia?Cohen - Quando chegou, foram feitas manobras de ressuscitação, ele foi conectado a um tubo para respirar, foi feita uma tomografia computadorizada do crânio e se detectou hemorragia cerebral. Em seguida, se começou a dar medicamentos para melhorar a coagulação e se preparou a cirurgia de urgência, porque o estado dele era muito delicado.Estado - Nesse momento, o senhor sentiu algo diferente do que costuma sentir em cirurgias?Cohen - Na realidade, na cirurgia, em si mesma, confesso-lhe que não. Porque a gente está tão acostumado a fazer isso que está automatizado.

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