Mandel Ngan/AFP
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Médico afastado por Trump fala em 'inverno mais escuro da história' por causa de coronavírus

Rick Bright foi deposto do cargo de chefe de uma agência federal e testemunhou em subcomitê da Câmara dos Deputados dos EUA sobre situação do país no combate à pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 12h56

NOVA YORK - O médico Rick Bright, deposto como chefe de uma agência federal envolvida no desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, afirmou nesta quinta-feira, 14, que os principais funcionários do governo de Donald Trump ignoraram suas "previsões terríveis" sobre a pandemia, e alertou o Congresso que o surto de covid-19 "piorará e será prolongado" se os Estados Unidos não intensificarem sua resposta. Ele chegou a dizer que seria o "inverno mais escuro da história moderna". 

Bright foi tirado no mês passado de sua posição como chefe da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado e testemunhou pessoalmente em um subcomitê da Câmara dos Deputados. O presidente Trump pediu sua demissão, dispensando-o como um "funcionário descontente".

"Não conheço o suposto denunciante Rick Bright, nunca o conheci ou sequer ouvi falar dele”, escreveu Trump, “mas para mim ele é um funcionário insatisfeito, não apreciado ou respeitado pelas pessoas com quem falei e que , com sua atitude, não deveria mais estar trabalhando para o nosso governo!". 

Em seu depoimento perante o subcomitê de saúde do Comitê de Energia e Comércio da Câmara, Bright alertou que "a janela está se fechando para lidar com essa pandemia" e disse que este ano poderá trazer "o inverno mais escuro da história moderna".

Ele instou o governo a desenvolver uma estratégia nacional de testes e a criar um plano para "distribuição equitativa de equipamentos e suprimentos essenciais" para eliminar o que os governadores descreveram como uma competição entre Estados. "Nossa nação não estava tão preparada quanto deveria, como poderíamos estar", disse. 

Bright disse que foi demitido da agência e transferido para um cargo mais restrito no Instituto Nacional de Saúde depois de se opor à ampla distribuição de um remédio contra a malária que Trump promoveu como tratamento para  caovid-19. Na quinta-feira, ele disse aos parlamentares que pressionou as autoridades federais desde o início para estocar o remdesivir, um medicamento que se mostrou útil para pacientes com vírus, e foi ignorado.

Em vez disso, ele foi orientado a criar um programa de acesso expandido para cloroquina e hidroxicloroquina, duas versões de um remédio contra a malária que Trump defendia como possível tratamento, mesmo na ausência de dados sobre o medicamentos. / The New York Times 

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