The White House/Handout via Reuters
The White House/Handout via Reuters

Médico da Casa Branca diz que Trump pode voltar a participar de eventos públicos no sábado

Imprensa americana revelou que o presidente estava inquieto com o isolamento imposto em razão da doença e já falava hoje de manhã em retomar os comícios

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington , O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 21h31

O médico da Casa Branca, Sean Conley, divulgou boletim de saúde na noite desta quinta-feira, 8, no qual afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá retomar atividades públicas a partir de sábado. "Sábado será o décimo dia desde o diagnóstico, na quinta-feira, e com base na trajetória de diagnóstico avançado que o time tem conduzido, eu antecipo totalmente a segurança do presidente de retornar aos compromissos públicos nesse momento", escreveu o médico.

O anúncio foi feito depois de Trump se recusar a participar de um debate virtual com Joe Biden na próxima semana e dos sinais de que o evento seria cancelado. Hoje de manhã, Trump afirmou que não apresentava mais risco de contágio, sem oferecer dados médicos. A Casa Branca se recusou a divulgar quando foi a última vez que Trump fez um teste de covid-19 que tenha dado resultado negativo. Desde segunda-feira, quando Trump saiu do hospital militar Walter Reed, os médicos da equipe da Casa Branca não realizam mais entrevistas coletivas.

A imprensa americana revelou que o presidente estava inquieto com o isolamento imposto em razão da doença e já falava hoje de manhã em retomar os comícios. A menos de 30 dias das eleições, o presidente está atrás de Biden nas pesquisas de intenção de voto.

No boletim desta quinta-feira, o médico afirma que desde que voltou para a Casa Branca, o exame físico de Trump está estável e "desprovido de qualquer indicação que sugira o avanço da doença".  

"De uma maneira geral, ele respondeu extremamente bem ao tratamento, sem evidência de efeitos adversos das terapias", informou Conley. Trump recebeu tratamento experimental de coquetel de anticorpos, além de dexametasona, um corticoide indicado a pacientes com quadros graves de covid-19.

Segundo o médico, Trump "concluiu hoje seu curso de terapia para covid-19 conforme prescrito pelo time de médicos". O boletim informa que o nível de saturação de oxigênio de Trump é de 96% a 98%, com 69 batimentos cardíacos por minuto e outros detalhes clínicos.

Conley foi criticado no fim de semana por tentar traçar um quadro mais ameno da saúde do presidente no sábado, sem revelar que Trump havia precisado de suplementação de oxigênio no dia anterior e que tivera pico de febre.

A nova informação joga mais incerteza sobre a realização do segundo debate, agendado para o próximo dia 15. Pela manhã, a Comissão de Debates Presidenciais informou que o debate seria feito de maneira virtual "para proteger a saúde e segurança de todos os envolvidos".  Trump disse que não "perderia seu tempo" com isso.

A campanha de Biden, então, também informou que o democrata não participaria do evento.  Os dois concordaram em postergar o encontro para o dia 22, mas Trump queria mais um terceiro debate, no dia 29, algo que Biden não aceita. 

O evento virtual joga luz no fato de a eleição ter sido afetada pela pandemia, assunto do qual Trump tenta desviar. A maioria desaprova a resposta dada pelo governo à crise. Do outro lado, os democratas tentam fazer a eleição um referendo sobre como Trump lidou com o coronavírus, que matou mais de 210 mil nos Estados Unidos.

Hoje, Biden continuou a expandir sua vantagem sobre Trump em Estados-chave, segundo pesquisas. De acordo com o site Five Thirty Eight, que faz uma estimativa com base em várias sondagens, o democrata lidera na Flórida (4,2 pontos porcentuais), Michigan (7,8), Minnesota (8,9), Pensilvânia (7) e Wisconsin (7). Biden está à frente até em Estados vencidos com facilidade por Trump em 2016, como Arizona (4,3), Iowa (1) e Geórgia (1,1).

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