Médico de Mubarak nega que ex-ditador esteja em coma

Declarações foram feitas depois de advogado de ex-líder egípcio ter informado a ocorrência de um derrame

, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 00h00

CAIRO - O médico de Hosni Mubarak negou ontem declarações de que o ex-presidente egípcio teria sofrido um derrame e estaria em coma. O desmentido do médico Assem Azzam foi feito após o advogado de Mubarak, Farid el-Deeb, dizer que o ex-ditador teria tido uma piora em seu estado de saúde e "estava morrendo".

 

 

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"Ele (Mubarak) está em condições estáveis", afirmou Azzam. "O que aconteceu é que ele teve um pouco de tontura porque sua pressão estava baixa. É apenas hipotensão, não um coma." Uma outra fonte do hospital em Sharm el-Sheikh onde Mubarak está internado disse que houve uma deterioração no estado de saúde do ex-presidente, mas acrescentou que não havia informações suficientes para confirmar que ele estava em coma.

Mubarak foi preso em abril e internado após passar mal. Ele é acusado de ordenar a morte de manifestantes durante a onda de protestos que resultou em sua deposição, em 11 de fevereiro. Segundo as acusações, Mubarak e outros integrantes de seu governo "encorajaram" policiais a atirar contra os manifestantes. Mais de 840 pessoas morreram nos 18 dias que duraram a revolta. O julgamento do ex-presidente está marcado para o dia 3.

Se condenado, Mubarak pode ser sentenciado à pena de morte. Críticos do ex-presidente e ativistas egípcios acreditam que o advogado de Mubarak está usando os problemas de saúde do ex-presidente como manobra para obter uma anistia durante o julgamento.

"O presidente teve um derrame", disse El-Deeb no aeroporto do Cairo antes de ser desmentido pelo médico de Mubarak. "Os médicos estão tentando fazer com que ele recupere a consciência, mas ele está em coma profundo." Recentemente, o advogado fez outras declarações sobre a suposta deterioração no estado de saúde do ex-presidente - todas negadas posteriormente por médicos envolvidos no tratamento dele.

Grupos de jovens ativistas já afirmaram que a concessão de anistia a Mubarak resultaria em uma "nova revolução".

"As informações de que Mubarak está em más condições têm como objetivo ganhar a simpatia do povo, especialmente agora que os egípcios estão pedindo que ele vá para uma prisão no Cairo e seja julgado lá, não em um hospital", afirmou o analista político e ativista Hassan Nafaa. / AP, AFP e REUTERS

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