Médico paquistanês que ajudou EUA foi preso por laços com militantes

Um médico paquistanês que ajudou os Estados Unidos a encontrar Osama bin Laden foi preso por ajudar militantes e não por suas ligações com a CIA, conforme as autoridades paquistanesas haviam dito, de acordo com um documento da Justiça.

JIBRAN AHMAD, REUTERS

30 Maio 2012 | 15h45

Um tribunal na região tribal de Khyber, perto da fronteira afegã, condenou Shakil Afridi a 33 anos de prisão na semana passada. Autoridades paquistanesas disseram que a decisão foi baseada em acusações de traição por ajudar a CIA em sua caça ao chefe da Al Qaeda.

Mas o documento do julgamento disponibilizado para a mídia nesta quarta-feira afirma que Afridi foi preso por causa de seus laços estreitos com o grupo militante banido Lashkar-e-Islam, o que equivale a travar guerra contra o Estado.

Não está claro por que as autoridades paquistanesas inicialmente disseram que Afridi foi preso por suas ligações com a CIA. O governo pode ter desejado mostrar a um público interno em grande parte anti-EUA que o Paquistão não tolerará qualquer tipo de cooperação com a agência de espionagem dos EUA, especialmente em um momento de relações turbulentas com Washington.

"Havia muito atrito por causa deste caso com os Estados Unidos. Isto parece ser um esforço para acertar as coisas com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que satisfaz o povo do Paquistão de que Afridi foi punido", disse Mansur Mehsud, diretor de pesquisa da instituto de estudos FATA, em Islamabad.

Enquanto o documento disse que não havia provas de que Afridi "foi mostrado atuando com outras agências de inteligência estrangeiras", o documento observou que o tribunal em Khyber não tinha jurisdição para agir a respeito disso.

Mas o tribunal recomendou que a evidência poderia ser apresentada perante um tribunal competente para os procedimentos posteriores.

O caso Afridi complicou mais os laços entre Estados Unidos e Paquistão, já danificados por uma série de eventos, incluindo um ataque aéreo da Otan em novembro do ano passado que matou 24 soldados paquistaneses.

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