Médico que se negou a servir no Iraque é condenado

O médico militar britânico Malcolm Kendall-Smith, que se negou a servir no Iraque por considerar ilegal a guerra contra o país, foi condenado nesta quinta-feira a oito meses de prisão após ser declarado culpado de desobedecer a ordens militares. Kendall-Smith também será expulso da Real Força Aérea Britânica (RAF), determinou o conselho de guerra em Aldersho. Esse é o primeiro caso deste tipo no Reino Unido sobre o conflito do Iraque. O conselho de guerra, formado por cinco oficiais da RAF, considerou o médico culpado de cinco acusações relacionadas a sua recusa em obedecer ordens que, segundo a corte marcial, eram legais. Kendall-Smith, que tem nacionalidade britânica e neozelandesa, chegou a comparar a invasão do Iraque com os crimes de guerra nazistas. Ocupação ilegal Durante o julgamento, o médico argumentou que a ocupação do Iraque pelos Estados Unidos, Reino Unido e seus aliados era ilegal. Além disso, acrescentou que se negou a servir em Basra em julho porque não queria ser cúmplice de um "ato de agressão" contra o direito internacional. "Tenho provas de que os americanos estavam a par da Alemanha nazista com suas ações no Golfo Pérsico. Tenho documentos em meu poder que apóiam minhas afirmações", disse o médico. Segundo seu advogado, Philip Sapsford, o médico considera que o Iraque não agrediu o Reino Unido nem nenhum país aliado, por isso não havia razões legais para atacá-lo, e o acusado tinha direito de desobedecer a ordens que considerava ilícitas.

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