Hasan Jamali / AP
Hasan Jamali / AP

Homem que teria esquartejado jornalista saudita estudou medicina na Austrália

Autoridades turcas suspeitam que Jamal Khashoggi foi assassinado após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul; Donald Trump nega que esteja tentando ‘acobertar’ Riad e espera saber a verdade sobre o caso ainda nesta semana

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 06h27

SYDNEY, AUSTRÁLIA - O médico que supostamente esquartejou e assassinou o jornalista saudita Jamal Khashoggi - desaparecido desde o dia 2 de outubro - estudou no Instituto de Medicina Forense de Victoria, na Austrália, patrocinado pelo governo de Riad em 2015, informou nesta quinta-feira, 18, a imprensa australiana.

As autoridades turcas suspeitam que Khashoggi foi assassinado após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

O médico Salah al-Tubaigy, identificado pelas autoridades turcas como um dos 15 homens presentes no local durante o suposto assassinato de Khashoggi, teria transportado uma serra para cortar ossos quando entrou e saiu de Istambul, segundo a emissora australiana ABC.

O aparente envolvimento de Al-Tubaigy, que trabalha para o Ministério do Interior saudita, desmentiria as versões de que a morte do jornalista crítico ao regime de Riad tenha sido um excesso involuntário cometido durante um interrogatório.

Jamal Khashoggi foi ao consulado para buscar alguns documentos necessários para seu casamento com uma cidadã turca e não foi mais visto desde então.

O jornal The New York Times revelou esta semana que Riad planeja reconhecer que Khashoggi morreu sob sua custódia em um interrogatório que saiu do controle das autoridades, e que 5 dos supostos 15 envolvidos são próximos ao príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

O Washington Post, para o qual Khashoggi escrevia, publicou na quarta-feira a que pode ser a “última” coluna do jornalista, na qual ele fala sobre a importância da liberdade de imprensa no mundo árabe.

Buscas

A polícia da Turquia terminou no início desta manhã as buscas feitas na residência do cônsul saudita em Istambul. A emissora turca NTV transmitiu imagens dos agentes da unidade de investigação deixando o local por volta das 5h (locais) com caixas de papelão e bolsas.

Agentes turcos fizeram na segunda-feira uma operação de busca que durou nove horas no consulado saudita, localizado a apenas 200 metros da residência. O cônsul Mohamed Otaibi viajou na terça-feira para Riad e, segundo a imprensa saudita, foi destituído do cargo. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Çavusoglu, informou que o registro na residência do cônsul foi adiado pois a família de Otaibi ainda estava no local.

Khashoggi estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um forte crítico à monarquia do seu país. No mesmo dia de seu desaparecimento, um comboio de seis veículos deixou o consulado e entrou momentos depois na residência do embaixador, segundo informações da imprensa turca, com base em imagens de câmeras de segurança.

EUA

O presidente americano, Donald Trump, negou na quarta-feira que estaria tentando “acobertar” seu aliado árabe e espera saber a verdade sobre o caso ainda nesta semana. “Quero apenas descobrir o que aconteceu”, disse ele a jornalistas na Casa Branca. “Não estou acobertando” os sauditas, insistiu.

Trump indicou que receberá um “relatório completo” do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, com quem conversará nesta quinta após reuniões do diplomata com autoridades turcas e sauditas. “Provavelmente vamos saber algo daqui até o fim de semana”, disse o mandatário.

Os comentários de Trump foram feitos depois da publicação, pela imprensa pró-governo da Turquia, de novas acusações contra Riad, segundo as quais agentes sauditas não apenas torturaram e assassinaram Khashoggi no consulado, como também o desmembraram.

Entre os assassinos estariam homens ligados a Bin Salman, um poderoso membro da família real saudita e personagem-chave nos esforços para uma relação mais próxima com a Casa Branca. Contudo, Washington parece ter dado o benefício da dúvida a seu aliado, insistindo na vontade de Riad de conduzir sua própria investigação. / EFE e AFP

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