Médicos abandonam hospital atacado no Sri Lanka

Dois mil civis tentaram atravessar lagoa para fugir da zona de guerra; 50 mil civis estão presos na área

Agências internacionais,

14 de maio de 2009 | 09h08

Uma autoridade de Saúde do governo do Sri Lanka afirmou nesta quinta-feira, 14, que a equipe médica que trabalhava no hospital de campanha atacado por dois dias consecutivos abandonou o local por conta dos intensos bombardeios na zona de guerra. Pelo menos 2 mil civis da etnia tâmil atravessaram com dificuldades uma lagoa para fugir da região dos conflitos entre os rebeldes e o Exército.

 

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Os rebeldes do Exército de Libertação dos Tigres do Tamil Eelam (LTTE) estão limitados a uma área de cinco quilômetros quadrados, e os militares dizem que avançam em sua ofensiva contra a faixa de terra. A Cruz Vermelha afirmou que a região continua dominada pelos combates, apesar dos pedidos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que o governo do Sri Lanka que interrompa a violência e alivie o sofrimento dos civis pegos no fogo cruzado da guerra civil entre tropas cingalesas e rebeldes tâmeis no norte do país.

 

O bombardeio contra o hospital de campanha foi o terceiro ataque ocorrido este mês. Bombardeios ocorridos durante o último final de semana mataram cerca de mil civis, segundo fontes médicas. Na terça-feira, bombas explodiram no local de admissão de

pacientes, matando 49 pessoas. No dia seguinte, outras 50 morreram no local. Sob anonimato, um oficial de Saúde do governo afirmou que a equipe médica deixou o local depois que mais de 100 pessoas foram mortas nos ataques nas últimas 48 horas.

 

 

Segundo ele, 400 feridos com gravidade permaneceram no local, já que os médicos e ajudantes passaram a maior parte dos últimos dias em um bunker procurando abrigo da artilharia. As equipes de saúde da instalação provisória dizem que usam as pequenas brechas entres as explosões para atender os pacientes, mas têm pouco a oferecer além de gaze e faixas.

 

O porta-voz do Exército afirmou que os rebeldes abriram fogo contra pelo menos 2 mil civis que fugiam da zona de guerra atravessando uma lagoa que serve de barreira entre as forças do governo e da guerrilha. Segundo ele, a maioria conseguiu escapar, ainda que quatro pessoas tenham morrido. Outras 14 foram feridas. Organizações estimam que há mais de 50 mil civis presos na zona de guerra. O governo afirma que os rebeldes usam a população como escudo humano e abrem fogo contra eles em tentativas de fuga, acusação que a guerrilha nega.

 

É difícil verificar os relatos porque o governo impede que jornalistas e trabalhadores de organizações humanitárias cheguem à zona de guerra. O governo cingalês está sob forte crítica internacional por causa do grande número de civis mortos na ofensiva contra o LTTE.

 

O HRW informa que testemunhas e imagens de satélite da área feitas no domingo e analisadas por especialistas "contradizem as afirmações do governo do Sri Lanka de que suas forças armadas não estão usando armas pesadas" na zona de guerra. O grupo também acusa os rebeldes de usar os civis como escudos humanos e de atirar contra os que tentam escapar. "Nem o Exército do Sri Lanka nem o LTTE parecem mostrar qualquer relutância em usar os civis como bucha de canhão", disse Brad Adams, diretor para a Ásia do HRW.

 

O Exército de Libertação dos Tigres do Tamil Eelam (LTTE) luta desde 1983 por uma pátria independente para a minoria tâmil do Sri Lanka no norte da ilha. Dezenas de milhares de pessoas já morreram desde então. Os rebeldes denunciam que são marginalizados há décadas por governos dominados pela maioria cingalesa do país.

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