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Médicos arriscam a vida para tratar de opositores

Eles trabalham de forma secreta, em clínicas improvisadas em mesquitas e casas

HOMS, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h08

O jovem médico recebeu um telefonema logo cedo. As tropas do governo sírio estavam atacando a cidade de Homs. Ele e sua equipe trabalharam por mais de 12 horas, colocando bandagens, extraindo balas e fazendo curativos, enquanto tiros e explosões eram ouvidos nas imediações. Quando tudo terminou, o médico, que se identificou pelo apelido Abu Abdu, disse que foi para o chuveiro remover o sangue do corpo e chorou por uma hora.

Abu Abdu é um das dezenas de voluntários em Homs e em outros redutos da oposição que têm arriscado sua vida para tratar das vítimas do governo, que transformou os hospitais em instrumentos de sua repressão, segundo grupos de defesa dos direitos humanos. Eles trabalham de forma secreta, em clínicas improvisadas em mesquitas e casas.

Ativistas dizem que muitos ativistas rejeitam ser levados a hospitais públicos, onde temem ser presos e torturados se apareceram com ferimentos a bala ou estilhaços. As autoridades dizem que eles não têm nada a temer. Mas um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU disse que pacientes levados aos hospitais de Homs estão sendo torturados e mortos por membros das forças de segurança vestidos como médicos.

Agora, os que tratam dos feridos também se tornaram alvos da repressão. Este mês, o doutor Ebrahim Othman, de 26 anos, que ajudou a formar uma equipe médica voluntária em Damasco, foi assassinado. Ativistas de oposição dizem que Othman, que era procurado pelas autoridades, foi morto a tiros quando seu motorista tentou evadir um bloqueio perto da fronteira com a Turquia. O jovem médico foi apelidado na internet de "o doutor da revolução".

Recentemente, Abu Abdu foi preso e interrogado por dois dias. Para sua surpresa, ele foi solto, mas está convencido de que é apenas questão de dias antes que seja morto. / LOS ANGELES TIMES

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