Sebastian Castaneda/REUTERS
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Médicos convocam greve de 48 horas no Peru em meio à pandemia de covid-19

A principal reivindicação é aumentar o orçamento da saúde para 5% do Produto Interno Bruto

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 02h34

LIMA - A Federação Médica do Peru convocou uma greve de 48 horas para os dias 26 e 27 de agosto, enquanto o país reporta um aumento no número de casos ativos de covid-19, mas garantiu que os pacientes serão atendidos normalmente.

Inicialmente, a greve havia sido convocada para os dias 15 e 16 de julho, mas acabou não sendo realizada porque a entidade começou a negociar com o ministro da Saúde anterior, Víctor Zamora.

Os médidos retomaram a convocatória após não verem avanços nas conversas com a nova minsitra, Pilar Mazzetti, que substituiu Zamora como parte da reformulação do governo peruano feita pelo presidente, Martín Vizcarra, em meados de julho.

"Estamos dispostos a falar, mas, se não tivermos propostas concretas, não podemos falar. Já suspendemos a greve de 15 e 16 de julho para conversar, mas acreditamos que fomos enganados por Vizcarra. Fomos chamados para o dia 16 e, no dia 15, o ministro da Saúde e o primeiro-ministro mudaram", disse o presidente da Federação Médica do Peru, Godofredo Talavera.

Prioridade aos pacientes

O presidente do sindicato garantiu que nenhum paciente ficará sem atendimento por causa da greve porque apenas os médicos que estiverem de licença ou tiverem terminado as atividades sairão para protestar.

Entre as principais reivindicações estão a necessidade de equipamentos de proteção individual adequados para tratar casos de covid-19 e assegurar que os médicos autônomos contratados pelo Ministério da Saúde para lidar com a pandemia sejam pagos durante os três meses combinados, dinheiro que não chega devido à lentidão dos procedimentos administrativos.

Talavera também garantiu aos meios de comunicação locais que os médicos receberam apenas uma pequena parte do bônus especial que o governo anunciou para os profissionais que tratam de casos de covid-19.

Segundo ele, ainda são necessários 16 mil médicos no sistema de saúde pública peruano, além de mais medicamentos, camas e oxigênio. A principal reivindicação é aumentar o orçamento da saúde para 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Na opinião de Talavera, o orçamento de 20 bilhões de sóis anunciado por Vizcarra para 2021 não vale para os médicos peruanos, pois mal representa 2,44% do PIB, 0,18% a mais do que o orçamento inicial para este ano./EFE

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