Médicos denunciam escassez na Venezuela

Associações de classe dizem que falta de insumos atinge 97% dos hospitais do país

Guilherme Russo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h02

CARACAS - A Federação Médica Venezuelana (FMV) declarou ontem que 97% dos hospitais particulares e públicos da Venezuela sofrem com a escassez de medicamentos e insumos. No mesmo dia, a Rede de Associações Médicas do país pediu ao governo "soluções de curto prazo" para solucionar a crise no setor, informando que há um déficit de 35 mil tipos de materiais de uso médico nas instituições de saúde.

O presidente da FMV, Douglas León Natera, declarou em entrevista coletiva que os venezuelanos estão morrendo em razão da escassez. "No total, 97% dos hospitais de todo o país têm apenas de 2% a 4% dos insumos necessários", disse, ao responder uma pergunta sobre a exigência do setor, feita na quinta-feira pela Rede de Sociedades Científicas Médicas Venezuelanas, de que o governo decrete "emergência sanitária e humanitária em nível nacional".

Durante a entrevista de ontem, Natera criticou a atitude da chefe da Defensoria Pública da Venezuela, Gabriela Ramírez, que minimizou a crise no setor de saúde, de acordo com a imprensa venezuelana. "Estamos voltando à medicina de 1940", afirmou o presidente da FMV.

"Reiteramos a necessidade urgente de declarar emergência sanitária e humanitária em nível nacional, razão pela qual nos juntamos a outras instituições que clamam por essa petição: a Academia Nacional de Medicina e a Associação Venezuelana de Clínicas e Hospitais", afirmou, na quinta-feira, um comunicado a Rede de Sociedades Científicas Médicas da Venezuela, associação que representa 40 entidades do setor no país.

No texto, a rede de entidades de saúde afirmou que os 35 mil tipos de insumos que faltam incluem "material de uso cotidiano", como gaze, solução fisiológica, material para sutura e seringas. "Também faltam materiais especializados, como stents coronários, marca-passos, reposição para equipamentos de laparoscopia, equipamentos descartáveis para máquinas de anestesia e equipamentos necessários durante as intervenções cirúrgicas." "A saúde está chegando a um ponto de falência, se não for dada a solução para esse problema em um curto prazo", declarou a entidade.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que reúne os partidos opositores da Venezuela, exige que o governo de Nicolás Maduro combata o "déficit severo de medicamentos" e de insumos hospitalares.

"Exigimos daqueles que governam ações imediatas que detenham a perigosa e injusta deterioração dos serviços de saúde, tanto públicos como privados, para garantir uma saúde equitativa, eficiente, digna e justa ao nosso povo", declarou a MUD em comunicado emitido na quinta-feira.

A coalizão declarou ainda que a degradação "estrutural e funcional dos serviços de saúde são uma clara demonstração do risco que representa adoecer na Venezuela".

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