AP Photo/Andy Wong
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Médicos estrangeiros dizem que dissidente chinês pode ser transferido para se tratar no exterior

Liu Xiaobo quer ir para a Alemanha ou EUA; profissionais recomendam que viagem seja feita em breve

O Estado de S.Paulo

09 Julho 2017 | 20h58

SHENYANG, CHINA - O dissidente chinês e ganhador do prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo pode ser transferido para o exterior com segurança para tratamento. Ele quer ir para a Alemanha ou para os EUA, mas isso precisa acontecer em breve, disseram dois médicos estrangeiros que o visitaram neste domingo, 9.

Liu, de 61 anos, foi preso por 11 anos em 2009 por "incitar a subversão ao poder estatal", após ajudar a escrever uma petição conhecida como "Carta 08", pedindo por amplas reformas políticas.

Recentemente ele foi transferido da prisão para um hospital na cidade de Shenyang para tratar um câncer de fígado avançado.

Na véspera, um médico dos EUA e um da Alemanha visitaram Liu para avaliar sua condição e consultá-lo sobre seu tratamento, após serem convidados pelo hospital. "Liu Xiaobo e sua família pediram que o restante de seu tratamento seja realizado na Alemanha ou nos EUA", disse Joseph M. Herman, do Centro de Câncer do MD Anderson, da Universidade do Texas, e Markus Buechler, da Universidade de Heidelberg, em comunicado conjunto.

"Embora um grau de risco sempre exista na transferência de qualquer paciente, ambos os médicos acreditam que o Sr. Liu pode ser transportado com segurança, com cuidados e suporte da transferência médica apropriada. No entanto, a transferência médica teria que ocorrer o mais rápido possível."

Os médicos reconheceram a qualidade dos cuidados que ele recebeu e disseram concordar com o diagnóstico de câncer de fígado. "Os médicos recomendaram que o sr. Liu receba cuidados de suporte paliativos. Pode haver opções adicionais, incluindo procedimentos de intervenção e radioterapia", disseram.

A Universidade de Heidelberg e o MD Anderson concordaram em aceitar Liu para tratamento e ambos estão preparados para oferecê-lo o melhor cuidado possível, disseram.

O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu ao pedido de comentário sobre se seria permitido que Liu deixasse o país. / REUTERS

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