YOUNG DOCTORS ASSOCIATION (YDA) of Pakistan / AFP
YOUNG DOCTORS ASSOCIATION (YDA) of Pakistan / AFP

Médicos fazem greve de fome por falta de equipamentos no Paquistão

País de 212 milhões de habitantes tem sistema de saúde precário e registrou, até o momento, 12 mil casos de coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 11h44

LAHORE - Dezenas de médicos e profissionais de saúde no Paquistão estão em greve de fome há mais de 10 dias em Lahore, capital do Estado de Punjab, no Paquistão, para protestar contra a falta de equipamentos de proteção contra o novo coronavírus. 

"Não pretendemos parar (a greve) até que o governo nos ouça", disse Salman Hasib, em greve de fome desde 16 de abril. "Somos a a linha de frente na luta contra o vírus e, se não estamos protegidos, toda a população está em perigo", destacou o líder da união médica Great Alliance for Health, organizadora do ato no país de 212 milhões de habitantes. 

Segundo a entidade, cerca de 30 pessoas realizam essa greve de fome nas instalações do departamento de saúde da província de Punjab, e cerca de 200 manifestantes se revezam para apoiá-las.

"Precisamos de roupas de proteção, não de homenagens", denunciou uma enfermeira que não quis dar seu nome. "Alguns de nós tivemos que comprá-los por nossa conta", acrescentou. Autoridades dos serviços de saúde de Punjab disseram que os hospitais receberam um número suficiente de equipamentos de proteção, apesar de "um atraso inicial".

Punjab é a região mais populosa do país, com 100 milhões de pessoas. Até agora, 5 mil casos de coronavírus foram registrados na região. No país todo, foram 12 mil. De acordo com outro sindicato médico, há 150 profissionais de saúde na região que estão infectados. Até o momento, o Paquistão, cujo sistema de saúde é muito pobre, registrou 253 mortes por coronavírus.  

No início de abril, os médicos que protestavam contra a falta de material no sudoeste do país foram detidos por várias horas. "Os burocratas vêm nos ver com máscaras altamente protegidas e não as temos", disse Faruk Sahil, médico de um hospital público de Lahore.

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