Médicos Sem Fronteira são alvo de sequestro em Darfur

Três funcionários da seção belga da ONG Médicos Sem Fronteiras foram sequestrados na região de Darfur, complicando ainda mais os trabalhos humanitários no Sudão, disseram autoridades na quinta-feira. Os três trabalhadores foram levados junto com dois sudaneses, liberados pouco depois, no momento em que aumentam as tensões no Sudão por causa do mandado internacional de prisão em vigor contra o presidente Omar Al Bashir, acusado de crimes de guerra em Darfur. "Isso representará mais um golpe para a prestação de assistência humanitária naquela área, de modo que as consequências são extremamente preocupantes para a população, os civis de Darfur", disse Christopher Strokes, diretor geral da MSF Bélgica, a jornalistas em Bruxelas. "Podemos confirmar que um grupo de homens armados foi ao local e ordenou que cinco pessoas os seguissem. Eram três funcionários internacionais e dois funcionários nacionais", disse Kemal Saiki, diretor de comunicações da força de paz Unamid. O MSF na Bélgica disse que os dois sudaneses foram rapidamente libertados, mas os três estrangeiros permaneciam detidos. A organização disse que os reféns são uma enfermeira canadense, um médico italiano e um coordenador francês. A agência de notícias missionária católica Misna os identificou como sendo Laura Archer, Mauro D'Ascanio e Raphael Meonier, respectivamente. "O MSF está profundamente preocupado com a segurança (dos reféns) e está fazendo tudo o que pode para descobrir seu paradeiro e assegurar seu retorno seguro e tranquilo", disse a organização em um comunicado. Cartum fechou 16 entidades humanitárias depois da decisão do Tribunal Penal Internacional, alegando que elas haviam ajudado a corte da ONU em Haia. Duas filiais dos Médicos Sem Fronteiras foram convidadas a se retirar do Sudão, mas não foi o caso do MSF-Bélgica. O MSF disse que retirará a maior parte de seus funcionários do Sudão, onde o conflito chegou a um ponto crítico depois que rebeldes não-árabes pegaram em armas contra o governo, em 2003. Especialistas internacionais dizem que pelo menos 200 mil pessoas foram mortas na região, enquanto Cartum confirma a morte de 10 mil pessoas. O Ministério das Relações Exteriores do Sudão condenou os sequestros, e disse que os trabalhadores sequestrados estariam em boa saúde e não teriam se ferido. "Eu prometo que essa conduta não se repetirá jamais. Eu quero confirmar que o governo do Sudão está pronto para fornecer segurança para todas as ONGs", disse o chefe da Comissão Humanitária do Sudão, Hassabo Mohamed Abd el-Rahman, a jornalistas. Ele afirmou acreditar que o sequestro pode ter sido motivado por dinheiro. (Reportagem de Andrew Heavens, em Cartum, Phill Stewart, em Roma, Philip Blenkinsop, em Bruxelas, e Emma Bath)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.