REUTERS/Ammar Abdullah
REUTERS/Ammar Abdullah

Médicos Sem Fronteiras confirma bombardeios a dois hospitais em Alepo

Hospital infantil e unidade especializada em cirurgias foram atingidos; médico relata drama vivido nas instalações diante do excesso de feridos e da escassez de medicamentos

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 10h12

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou na quinta-feira que dois hospitais situados ao leste da cidade síria de Alepo foram atingidos por ataques aéreos no dia anterior. De acordo com o porta-voz de Defesa Civil da província, Ibrahim Abu Leiz, ao menos 46 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas pelos bombardeios e tiros de artilharia.

As duas instalações atingidas foram um hospital infantil e uma unidade especializada em cirurgias. A equipe que trabalhava nos locais conseguiu retirar os pacientes, incluindo dois bebês prematuros, de berços e incubadoras, e abrigá-los no porão do prédio.

Segundo informações da MSF, desde julho já foram registrados 29 ataques a hospitais em Alepo, obrigando alguns a ficarem fechados. Veja abaixo o depoimento de um médico que trabalha em uma das unidades que ainda está em funcionamento.

“Quando há massacres acontecendo lá fora e recebemos um número grande de pessoas feridas, paramos tudo para concentrar nossos esforços em tratar esses pacientes. Operações que não são urgentes podem ser adiadas pelo menos até que os bombardeios cessem ou até que o cirurgião tenha mais tempo.

Os pacientes mais vulneráveis são aqueles com ferimentos na cabeça e lesões neurológicas – entre 70% e 80% deles acabam morrendo. Vemos muitas pessoas com lesões nos membros, mas normalmente não podemos fazer nada por elas, e acabamos recorrendo à amputação. Há pouco tempo, poucos médicos, poucos centros cirúrgicos e poucos medicamentos. Não temos muitas alternativas.

Honestamente, não há muito o que fazer para se preparar para um bombardeio como esse. Há alguns meses, começamos a escavar embaixo do hospital, mas quando o cerco teve início, não conseguimos o material de construção necessário para continuar, então tivemos de parar. Também começamos a construir um muro ao redor do hospital, mas tampouco conseguimos conclui-lo.

Todos os nossos geradores estão longe do hospital, em um local subterrâneo relativamente seguro, mas o combustível que os alimenta está quase acabando. Alguns medicamentos - como os utilizados para tratar doenças crônicas - já se esgotaram. Alguns analgésicos e antibióticos também estão chegando ao fim.” / com EFE

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