Esam Al-Fetori/Reuters
Esam Al-Fetori/Reuters

Médicos Sem Fronteiras denuncia torturas em prisões da Líbia

Como resposta, ONG suspenderá suas operações nos centros de detenção da cidade

Efe,

26 de janeiro de 2012 | 12h44

GENEBRA - A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) suspenderá suas operações nos centros de detenção da cidade líbia de Misrata como resposta às torturas praticadas nos presos, anunciou nesta quinta-feira, 26, a ONG.

 

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Desde que iniciou suas atividades na região, em agosto do ano passado, os médicos da organização tiveram que tratar "cada vez mais de pacientes com lesões ocasionadas por torturas causadas em interrogatórios". A princípio, no entanto, a missão da MSF era cuidar de prisioneiros de guerra feridos.

No total, a ONG tratou de 115 pessoas que apresentavam ferimentos provocados por tortura. Os casos foram denunciados para as autoridades de Misrata.

O diretor-geral da MSF, Christopher Stokes, denunciou que alguns oficiais das penitenciárias "tentaram obstruir o trabalho dos médicos". Além disso, afirmou que muitos presos eram enviados para tratamento médico sob interrogatório, para depois serem levados novamente.

Stokes disse que a situação é "inaceitável", pois a função da ONG é atender vítimas de guerra e presos feridos, e não tratar detentos entre sessões de tortura.

A MSF denunciou que em algumas ocasiões os oficiais pediram que os médicos da organização tratassem dos presos dentro dos próprios centros de interrogatório.

A organização disse que o caso "mais alarmante" ocorreu em 3 de janeiro, quando membros da ONG trataram um grupo de 14 prisioneiros que tinham acabado de sair de um interrogatório.

Nove deles mostravam sinais evidentes de tortura, e após a MSF pedir que eles fossem transferidos para hospitais, o Serviço de Segurança do Exército Nacional negou atendimento a oito dos presos.

Em 9 de janeiro, a organização enviou uma carta na qual pedia o fim imediato desse tipo de prática ao Conselho Militar de Misrata, ao Comitê de Segurança de Misrata, ao Serviço de Segurança do Exército Nacional e ao Conselho Civil de Misrata.

"Nenhuma ação concreta foi tomada. Ao invés disso, a equipe médica recebeu quatro novos casos de torturas, por isso decidimos suspender nossas atuações", declarou o diretor-geral da MSF. 

 

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