Brendan Hoffman|The New York Times
Brendan Hoffman|The New York Times

Médicos sem Fronteiras é expulsa do leste da Ucrânia sob acusação de espionagem e tráfico

Comitê de Direitos Humanos da República Popular de Donetsk também diz que ONG realiza 'treinamentos psicológicos para desorientar a população'; MSF pede que decisão seja reconsiderada

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 10h10

DONETSK, UCRÂNIA - As atividades da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) no território da autodenominada República Popular de Donetsk (RPD) foram proibidas, sob acusação de "espionagem" e "tráfico de drogas" - anunciaram os rebeldes pró-russos do leste da Ucrânia no domingo, 25.

"A acreditação da MSF foi anulada por causa da participação de seus colaboradores na coleta de informações relativas à defesa e pela prescrição de medicamentos psicotrópicos", anunciou a agência oficial de notícias separatista, DAN.

As autoridades da autoproclamada república proibiram esta semana as atividades de várias ONG estrangeiras, entre elas a MSF, sem explicar os motivos da decisão. Segundo a agência de notícias rebelde, a MSF também organizou "treinamentos psicológicos, cujo objetivo é desorientar" a população local.

Em setembro passado, a MSF e outras ONGs estrangeiras já haviam sido proibidas de realizar atividades na república vizinha rebelde de Luhansk. Na época, os rebeldes acusaram as organizações de armazenar "ilegalmente medicamentos psicotrópicos", o que foi negado pela MSF. A instituição francesa alega ser vítima de medidas intimidadoras.

Em nota publicada em seu site, a MSF afirmou que está extremamente preocupada com a decisão, que deixará milhares de pessoas sem atendimento médico. 

"Essa é uma decisão que tem consequências que atentam contra a vida de pacientes que a MSF não poderá atender. Estamos exortando o Comitê de Direitos Humanos da RPD a reconsiderar a decisão sem demora de forma que possamos continuar com o atendimento médico muito necessário na região", afirmou Bart Janssens, diretor de operações da ONG.

No mesmo texto, a ONG disse ter realizado mais de 85 mil consultas e fornecido medicamento e material para mais de 170 centros médicos na região desde o início do conflito armado, em maio de 2014. "Somos praticamente a única organização a oferecer tratamento de tuberculose em prisões, insulina para diabéticos e hemodiálises para pacientes com problemas nos rins", disse Janssens. / AFP

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