Jim Wilson/NYT
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Medidas de confinamento evitaram 60 milhões de infecções por coronavírus nos EUA, diz estudo

Publicada na revista Nature, pesquisa da Universidade da Califórnia concluiu que tempo é crucial e que pequenos atrasos na implementação do isolamento podem levar a 'resultados dramaticamente diferentes'

Joel Achenbach, The Washington Post

09 de junho de 2020 | 04h00

Ordens de confinamento impediram cerca de 60 milhões de novas infecções por coronavírus nos Estados Unidos e 285 milhões na China, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira, 8, que examinou como os pedidos para que as pessoas permanecessem em casa e outras restrições limitaram a propagação do contágio.

Outro estudo realizado por epidemiologistas do Imperial College de Londres estimou que as medidas de confinamento salvaram cerca de 3,1 milhões de vidas em 11 países europeus, incluindo 500 mil no Reino Unido, e reduziram as taxas de infecção em uma média de 82%, o suficiente para conduzir o contágio bem abaixo dos níveis epidêmicos.

Os dois trabalhos, publicados segunda-feira na revista Nature, fornecem novas evidências de que as medidas de isolamento intensivas e sem precedentes, que causaram enormes rupturas econômicas e perda de empregos, foram necessárias para deter a disseminação exponencial do novo coronavírus.

Mas a esmagadora maioria das pessoas permanece suscetível ao vírus. Somente cerca de 3% a 4% das pessoas nos países estudados foram infectadas até o momento, disse Samir Bhatt, cientista responsável pelo estudo do Imperial College de Londres.

"Este é apenas o começo da epidemia: estamos muito longe da imunidade de rebanho", disse Bhatt na segunda-feira em um e-mail. "O risco de uma segunda onda (de infecções) acontecer se todas as intervenções e precauções forem abandonadas é muito real."

O primeiro estudo, de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, examinou seis países - China, Estados Unidos, França, Itália, Irã e Coreia do Sul - e estimou como 1.717 intervenções, como ordens para as pessoas ficarem em casa, fechamento de estabelecimentos e proibições de viagem, alteraram a propagação do vírus. 

A pesquisa concluiu que esses seis países conseguiram coletivamente evitar 62 milhões de infecções confirmadas por testes. Como a maioria das pessoas infectadas nunca é testada, o número real de infecções evitadas é muito maior - cerca de 530 milhões nos seis países, estimaram os pesquisadores de Berkeley.

O tempo é crucial, concluiu o estudo. Pequenos atrasos na implementação de confinamentos podem levar a "resultados na saúde dramaticamente diferentes". A pesquisa, ao analisar o que funcionou e o que fez pouca diferença, é claramente voltada para os vários países do planeta que ainda estão no início de sua batalha contra o coronavírus.

"Sociedades em todo o mundo estão avaliando se os benefícios na saúde das políticas anticontágio valem seus custos sociais e econômicos", escreveu a equipe de Berkeley. Os custos econômicos das paralisações das atividades são altamente visíveis - lojas fechadas, enormes perdas de empregos, ruas vazias, filas para distribuição de alimentos. Os benefícios na saúde devido ao confinamento, no entanto, são invisíveis, porque envolvem pessoas que não estão doentes.

Isso estimulou os pesquisadores a apresentar suas estimativas de infecções prevenidas. A equipe de Berkeley não produziu uma estimativa de vidas salvas.

Uma constatação surpreendente: o fechamento das escolas parecia não ter efeito significativo, embora os autores tenham dito que a questão exige mais estudos. A proibição de grandes reuniões teve mais efeito no Irã e na Itália do que nos outros países. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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