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Medidas de segurança dificultam ainda mais vida de refugiados

Atentados relançam divisões de países europeus sobre o acolhimento de estrangeiros

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2015 | 21h36

Os atentados de Paris e a descoberta de um passaporte sírio perto do corpo de um suicida recriaram as tensões dentro da União Europeia sobre a política de acolhimento de migrantes e refugiados. Os partidários de uma linha dura consideram que seus temores estão mais fundamentados do que nunca.

Contra eles, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu ontem a manutenção do sistema europeu migratório, garantindo que “não há motivos para rever todas as políticas”.

Atenas e Belgrado confirmaram que o passaporte sírio encontrado perto de um terrorista nas proximidades do Stade de France – mas que ainda não está claro se corresponde de fato ao suicida – é de um migrante que chegou em 3 de outubro na ilha grega de Leros e, posteriormente, transitou pela Sérvia.

“Todos os refugiados não são terroristas do Estado Islâmico. Mas acreditar que não há nenhum combatente entre eles é ingênuo”, disse à imprensa alemã Markus Söder, do partido conservador católico bávaro CSU. “Paris mudou tudo” e “o tempo não é mais de uma migração descontrolada”, insistiu o líder, cujo partido critica a política de acolhida de sua aliada, a chanceler Angela Merkel. O movimento islamofóbico alemão Pegida considerou, por sua vez, que atentados na Alemanha serão inevitáveis “caso o dilúvio de requerentes de asilo não seja parado”.

Mais de 800 mil migrantes chegaram à Europa por mar desde o início do ano, a maioria do Oriente Médio – a Alemanha espera receber quase um milhão de refugiados ainda neste ano. O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, advertiu contra “ligações precipitadas” entre os ataques terroristas de Paris e a crise migratória na Europa.

Sem esperar tomar posse, o futuro ministro polonês dos Assuntos Europeus, o conservador Konrad Szymanski, anunciou no sábado que seu país, já hostil ao acolhimento de refugiados, “não via a possibilidade política” de cumprir com os acordos de realocação de imigrantes. Na Holanda, o populista Geert Wilders, cujo partido lidera as pesquisas em seu país, declarou: “Senhor primeiro-ministro, peço que feche nossas fronteiras, agora!”.

Ilusão de segurança. “Aqueles que realizaram os ataques são exatamente aqueles de quem os refugiados estão fugindo”, afirmou Jean-Claude Juncker antes da cúpula do G20 em Antalya (sul da Turquia). “Quem é responsável por estes ataques em Paris não pode ser colocado em pé de igualdade com os verdadeiros refugiados que procuram asilo”, disse. Uma fonte próxima a Juncker indicou que suas observações não significavam que não há uma margem de manobra para avaliar, ainda que parcialmente, a política atual.

Para o ministro das Relações Exteriores holandês, Bert Koenders, “fechar as fronteiras é criar a ilusão de que estamos seguros, é um conto de fadas que não ajuda ninguém”. “Não sejamos ingênuos, precisamos controlar os migrantes para saber com quem estamos lidando, mas devemos ter muito cuidado ao ligar as causas e efeitos.”

Na Croácia, principal país de trânsito de migrantes nos Balcãs, o primeiro-ministro Zoran Milanovic disse que “o fechamento (das fronteiras) e o arame farpado não impedirão tais tragédias”.

Já na França, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder da oposição conservadora, instou a União Europeia a adotar uma “nova política migratória”, sublinhando que “não há nenhuma ligação, naturalmente”, com os ataques.

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