?Medidas não amenizam a crise?

Para especialista, Chávez não quis assustar população

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

As medidas econômicas anunciadas no sábado por Hugo Chávez não serão suficientes para amenizar os efeitos da crise e da queda do petróleo sobre a Venezuela, segundo analistas consultados pelo Estado. "O pacote não tem incentivos para o debilitado setor privado venezuelano ou mesmo para reduzir a dependência do petróleo, medidas que no médio e longo prazos nos ajudariam a crescer de forma sustentada", diz o consultor Diego González, especialista em economia petrolífera. "Além disso, Chávez não quis anunciar medidas drásticas, mas para fechar as contas logo terá de apelar a dispositivos como aumento da gasolina ou a desvalorização."Entre as medidas estão restrições às importações de bens de luxo, o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), mais endividamento, o enxugamento de órgãos do Estado, cortes nos salários de funcionários de alto escalão do governo e a elevação de 20% do salário mínimo.Para o economista Rafael Zanoni, da Universidade de los Andes, o presidente deixou algumas medidas para o futuro para não assustar a população. "Os grandes pacotes econômicos aqui na Venezuela são relacionados às medidas neoliberais tomadas pelos presidentes Carlos Andrés Pérez e Rafael Calderas, que sempre foram criticados por Chávez", diz Zanoni. "O que o presidente parece não entender é que até um regime socialista tem de manter seu equilíbrio macroeconômico."A receita com as exportações de petróleo devem ser de US$ 40 bilhões neste ano, menos da metade das de 2008 (quando o barril chegou a US$ 120). Daí a necessidade de conter as importações que no ano passado atingiram US$ 50 bilhões (contra os US$ 16 bilhões antes do governo Chávez). Sem recursos, a estatal petrolífera PDVSA suspendeu o pagamento de alguns prestadores de serviço e negocia empréstimos de até US$ 4 bilhões.

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