Medo de inundação causa fuga de milhares

Deslizamentos de terra após tremor bloqueiam rio e criam represas que podem transbordar

O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2008 | 00h00

Milhares de pessoas fugiram ontem às pressas de áreas afetadas pelo terremoto na China que estão sob ameaça de inundação. Imagens registradas à tarde mostravam vítimas e equipes de socorro correndo para regiões mais altas de maneira caótica.Deslizamentos de terra provocados pelo tremor de segunda-feira bloquearam o Rio Qingzhu e criaram duas represas, que registravam rápida elevação no nível da água. Se transbordarem, podem inundar uma área de 40 quilômetros de extensão na área de Beichuan. O governo determinou que 2 mil pessoas abandonassem uma vila próxima ao local. Na cidade de Beichuan, que foi quase totalmente destruída pelo tremor, o rumor de que outra represa havia se rompido provocou pânico na população e nas equipes de resgate. Segundo relato de um jornalista da BBC que estava na cidade, a operação de retirada de uma pessoa dos escombros foi abandonada no meio, enquanto todos corriam para lugares seguros. Mesmo depois que autoridades desmentiram o rumor, muitos moradores continuaram no alto das montanhas. O número oficial de mortos subiu ontem para 28.881, mas o governo calcula que chegará a 50 mil. Há mais de 198 mil feridos, 16 mil deles em estado grave.As operações de busca ganharam alento ontem com o resgate de 63 sobreviventes - 56 deles em Yingxiu, no distrito de Wenchuan. Um turista alemão e um chinês de 52 anos ficaram 114 e 117 horas presos sob os escombros, respectivamente. Nas ruínas de uma indústria química em Shifang, socorristas retiraram uma mulher de 31 anos, 124 horas depois do terremoto.Mas as chances de localização de pessoas vivas são cada vez menores. A grande preocupação do governo agora é evitar epidemias entre as vítimas do mais violento terremoto registrado no país em 32 anos.Os mortos começaram a ser enterrados em valas comuns e a população foi orientada a usar máscaras cirúrgicas para reduzir o risco de contaminação. Segundo o governo, 34 mil médicos e enfermeiros trabalham na região atingida pelo tremor. O desastre deixou 4,8 milhões de desabrigados, que estão amontoados em barracas ou tendas improvisadas, sem acesso a condições sanitárias básicas, o que eleva o risco de infecções. "Combater epidemias é a maior e mais urgente tarefa que temos agora", disse o vice-ministro da Agricultura, Wei Chaoan.

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