Medo de represálias pode limitar votação de Capriles

Cenário: William Neuman / NYT

O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2012 | 03h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, uma figura polarizadora que governa o país há 14 anos, tem muitas vantagens sobre seu rival nas eleições de amanhã. A mais potente delas é o que pode ser chamado de "fator do medo". Muitos venezuelanos, ansiosos por tirar Chávez do poder, irritados com a economia em crise e a alta na criminalidade, estão ansiosos em votar, mas temem que um voto contra Chávez signifique uma demissão de um emprego público ou a perda de um benefício estatal.

"Trabalho para o governo e isso me assusta", admite Luísa Arismendi, de 33 anos, que trabalha como professora numa escola do governo bolivariano. Ela participou de um comício do candidato da oposição, Henrique Capriles, na região noroeste de Caracas. Ela sempre votou em Chávez e hesitou antes de dizer seu nome completo, temendo represálias. Ela acredita que seus supervisores podem descobrir que ela mudou de lado e isso a assusta. "Eu posso ser demitida", diz.

Embora pesquisas de intenção de voto divirjam amplamente sobre quem é o favorito para as eleições de domingo - com alguns institutos prevendo uma vitória do líder bolivariano e outros indicando que a disputa está parelha demais para qualquer prognóstico -, há um consenso de que Chávez nunca esteve tão vulnerável.

Prever o resultado da eleição é complicado, uma vez que muitos venezuelanos acreditam que um simples voto na oposição poderia ser alvo de retaliações do regime chavista. Como preparação para as eleições, o governo colocou em prática um novo sistema de votação eletrônica que muitos temem que possa ser usado para identificar quem votou contra Chávez.

Oficiais da Justiça Eleitoral venezuelana e líderes da oposição ao chavismo têm se esforçado para garantir a lisura do processo, mas ainda há muita desconfiança. Capriles tem encorajado seus eleitores a votar sem medo.

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