Medo e preocupação nas ruas de SP

A preocupação nas ruas de São Paulo quanto às conseqüências dos ataques aos Estados Unidos vai do início de uma nova guerra mundial à piora da situação econômica do País. Incerteza, no entanto, é a palavra que resume o pensamento das pessoas ouvidas nesta terça-feira pela reportagem. "Tenho medo de uma nova guerra", afirma o aposentado italiano Pasquale Buccino, de 67 anos, com a experiência de quem já viveu uma. Aos 8 anos, viu seu pai partir para a batalha, na 2ª Guerra Mundial. "Não quero ver coisa igual de novo", diz ele, que hoje mora no centro da capital paulista. O aposentado, aparentemente abatido ao falar sobre o assunto, conta que, depois que seu pai voltou vivo da guerra, a família mudou-se para o Brasil. "Foi aqui que meu pai morreu."Sem se arriscar nas previsão do que vai acontecer, apenas lamentou. "A economia já não vai bem, mas tudo isso pode piorar ainda mais." O engenheiro civil recém-formado Eduardo Fernandes, de 24 anos, conhece a 2ª Guerra Mundial pelos livros de história. Ele acredita que a 3ª está prestes a ser deflagrada. "Parece que é o começo, pois colocaram à prova a defesa dos Estados Unidos." Para Fernandes, os fatos da manhã desta terça vão abalar toda a economia mundial. A mesma opinião tem o estoquista Roberto Marques Henrique, de 21 anos. "Estamos em iminência de guerra." Na opinião de Henrique, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai se aliar aos Estados Unidos em um possível confronto contra o inimigo. "O mundo inteiro gira em torno do dólar, portanto, a partir de agora tudo deve mudar", opina sobre o futuro da economia do País.O advogado Cassiano Botelho, de 23 anos, não acredita em guerra, mas concorda que o Brasil pode ser afetado economicamente. "O preço da gasolina deve subir muito." Ele também não espera crises políticas e econômicas profundas. "Os Estados Unidos não são malucos de atacar qualquer país e matar milhões de inocentes", afirma Botelho. "A opinião pública pode ficar contra o presidente Bush." Também advogado, Carlos Alberto Fiuza, de 31 anos, afirma que os ataques aos Estados Unidos são um alerta para que as autoridades norte-americanas debatam suas relações com outros países. "É preciso repensar a globalização", diz o advogado. O estagiário Edson Silva Gomes, de 27 anos, não teme uma 3ª Guerra Mundial. Sua preocupação é com o desemprego. "Com certeza, nossa economia será afetada", afirma Gomes.

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