Medvedev adverte contra instabilidade no país

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, respondeu nesta quinta-feira a uma onda de protestos contra supostas fraudes nas eleições, propondo uma série de reformas para liberalizar o sistema político do país. Medvedev advertiu, porém, que o governo não permitirá que "provocadores e extremistas" ameacem a estabilidade.

AE, Agência Estado

22 de dezembro de 2011 | 09h45

Medvedev disse em seu discurso sobre o estado da nação que a Rússia "precisa de democracia, não de caos" e que o governo deve resistir com força à pressão internacional. As declarações são dadas após grandes protestos contra fraudes nas eleições parlamentares de 4 de dezembro, quando o governista Rússia Unida perdeu um quarto de suas cadeiras. Líderes da oposição e monitores eleitorais independentes dizem que o partido apenas conseguiu manter sua maioria através de fraudes. Há mais um grande protesto marcado para este final de semana no país.

Os protestos mostram que a intenção do primeiro-ministro Vladimir Putin de voltar à presidência, nas eleições de março, pode enfrentar mais dificuldades do que imaginado até então. Putin e Medvedev rejeitaram a realização de novas eleições, dizendo que as urnas refletiram a vontade popular. Putin acusou os Estados Unidos de fomentarem protestos para enfraquecer a Rússia, e Medvedev rechaçou críticas de Washington ao processo eleitoral.

"Nós não permitiremos que provocadores e extremistas arrastem a sociedade para suas aventuras, e não permitiremos nenhuma interferência de fora em nossos assuntos domésticos", afirmou Medvedev nesta quinta-feira.

Medvedev repetiu uma declaração anterior de Putin, dizendo que pretende que voltem a ocorrer as eleições diretas para governadores. Também disse que haverá simplificação nas regras para se registrar um partido político, e propôs ainda a redução do número de assinaturas que um candidato precisa para concorrer à presidência, de 2 milhões para 300 mil.

O líder oposicionista Boris Nemtsov disse que as propostas eram bem-vindas, mas insuficientes. Segundo ele, um protesto no sábado continuará pressionando pela repetição das eleições parlamentares. "Nós não teríamos ouvido nenhuma dessas propostas se não tivesse havido protestos", disse Nemtsov à rádio Ekho Moskvy. As informações são da Associated Press.

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