Medvedev demite chefe de inteligência

Foi a mais importante demissão feita pelo presidente russo até agora

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O presidente russo, Dmitri Medvedev, demitiu ontem o general Valentin Korabelnikov do cargo de chefe da agência de inteligência GRU, considerado o mais secreto e poderoso organismo no país. O Kremlin não justificou a decisão, mas a imprensa local afirmou que a saída do general estaria relacionada a problemas internos com o ministro da Defesa, Anatoli Serdyukov. A saída de Korabelnikov é a mais importante destituição feita por Medvedev desde que ele sucedeu o ex-presidente Vladimir Putin, em maio do ano passado. Korabelnikov comandava a GRU desde 1997 e será substituído por seu vice, Alexander Shlyakturov. A GRU é a principal agência de inteligência da Rússia e tem milhares de agentes espalhados em todo o mundo (mais informações nesta página). Recentemente, o general havia criticado o plano de reforma das Forças Armadas proposto pelo Kremlin para modernizar o aparato militar russo. O projeto pretender cortar o número de generais e reduzir de 1,1 milhão para 1 milhão o efetivo das Forças Armadas. Especialistas acreditam que Shlyakturov será menos resistente às reformas planejadas por Moscou. Segundo uma fonte ligada ao Ministério da Defesa, Korabelnikov, de 63 anos, foi retirado do cargo por já haver excedido em três anos a idade máxima para continuar como general. Para continuar servindo após os 60 anos, o presidente deveria assinar um decreto para aumentar seu contrato ou para destituí-lo."Isso foi um golpe para as forças russas e para a segurança de nossa nação", afirmou o opositor Viktor Ilyukhin, do Partido Comunista, ex-vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento. "Ele (Korabelnikov) nasceu como chefe de inteligência e é um homem brilhante, que conhece a situação mundial. Ele é um dos melhores especialistas na área do Exército da Rússia." A agência de notícias RIA afirmou ontem que Korabelnikov deverá continuar no governo, mas como consultor.

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