Medvedev destitui prefeito de Moscou

No cargo há mais de 18 anos, Yuri Luzhkov é demitido por falta de confiança após campanha de críticas feita por emissoras estatais

AFP, AP e NYT, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

MOSCOU

O presidente russo, Dmitri Medvedev, destituiu ontem o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, por questionar as determinações do governo. Figura influente nas últimas duas décadas, Luzhkov foi demitido depois de 18 anos no cargo por "perder a confiança do presidente". O prefeito ainda estaria tentando criar um conflito entre Medvedev e o premiê Vladimir Putin, que apoiou a demissão e indicou que ajudará a escolher o sucessor.

Em decreto, Medvedev apontou o vice de Luzhkov, Vladimir Resin, como prefeito interino. A demissão foi o ato mais audacioso do presidente desde que assumiu o cargo, em 2008. Correligionário de Putin, Luzhkov era acusado de corrupção e foi duramente criticado pelas TVs estatais nas últimas semanas.

Programas de TV acusaram o prefeito de deixar Moscou durante os incêndios florestais que afetaram a região da capital, poluindo o ar e aumentando a taxa de mortalidade da cidade. Luzhkov demorou dez dias para suspender suas férias e retornar a Moscou, o que irritou o Kremlin.

O prefeito está envolvido ainda em acusações de corrupção pelas atividades empresariais de sua mulher, a bilionária do setor de construção Yelena Baturina. A então funcionária da prefeitura criou um império imobiliário e de obras públicas que lhe rendeu uma fortuna de US$ 2,9 bilhões. Também foi criticado por preservacionistas por destruir o centro histórico de Moscou.

Luzhkov foi nomeado pelo ex-presidente Boris Yeltsin em 1992, após a queda da União Soviética, sendo reeleito desde então. Quando Vladimir Putin assumiu a presidência, revogou a eleição para a prefeitura de Moscou e passou a indicar o prefeito, terceiro cargo mais importante depois do presidente e do premiê.

Demissões. A destituição ocorre no momento em que o Kremlin busca renovar os líderes regionais do país, recentemente aceitando as demissões de vários governadores. O mandato de Luzhkov terminaria em 2011, um ano antes das eleições presidenciais de 2012.

Luzhkov, que na segunda-feira afirmou que não renunciaria, não fez comentários sobre sua demissão. Ele apenas enviou uma carta ao partido governista, o Rússia Unida, avisando que deixaria a legenda pela tentativa coordenada de forçá-lo a renunciar e criticando a falta de apoio.

O secretário do partido, Vyacheslav Volodin, lamentou que um dos fundadores do Rússia Unida tenha perdido a confiança do governo por seus próprios erros. Putin elogiou o prefeito, mas disse que existiam sinais claros de que a relação entre Medvedev e Luzhkov não era boa e, como o prefeito é subordinado ao presidente, apoiaria a demissão.

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