Medvedev vai a Cuba e discute cooperação com Fidel

Numa visita histórica a Cuba, o presidente russo, Dmitri Medvedev, reuniu-se hoje por mais de uma hora com o ex-presidente cubano Fidel Castro, com quem discutiu projetos de cooperação e questões políticas internacionais. A informação foi divulgada pela agência de notícias russa Ria Novosti, que citou a porta-voz de Medvedev, Natalia Timakova. O objetivo da visita seria relançar a aliança política, econômica e militar com a ilha, interrompida após o fim da Guerra Fria. Fidel, de 82 anos, está afastado do poder desde julho de 2006 - quando teve de fazer uma cirurgia no intestino - e, embora não tenha aparecido em público desde então, tem escrito para a imprensa cubana.Durante a visita à ilha, Medvedev também se encontrou com o presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, com quem discutiu projetos conjuntos "na área militar e de segurança". Ontem à noite, ele visitou a recém-inaugurada catedral ortodoxa russa, no centro de Havana, e hoje depositou uma coroa de flores num mausoléu de soldados soviéticos que morreram em Cuba nos anos 60. Cuba recebeu empréstimos, combustível subsidiado e ajuda tecnológica da União Soviética de 1961 a 1991, quando fazia parte do bloco comunista. O colapso do governo soviético e o fim da ajuda foram fatores que aceleraram a deterioração nas condições de vida na ilha.A última vez que um líder russo visitou Cuba foi em 2000. Nos últimos anos, porém, aumentou o interesse de Moscou por projetos conjuntos em áreas como exploração de níquel, petróleo, turismo e telecomunicações na ilha. "Nossas relações em geral são boas, mas nos últimos seis meses se tornaram especialmente intensas", disse Medvedev. Cuba foi o último destino do presidente russo em sua viagem pela América Latina, que incluiu Peru, Brasil e Venezuela. O chanceler russo, Serguei Lavrov, também esteve no Equador. Ao longo das visitas, as autoridades russas anunciaram uma série de acordos para ampliar as relações com esses países nas áreas de comércio, economia e energia. Entre eles estão dois polêmicos projetos para ajudar Caracas e Quito a desenvolver energia nuclear "com fins pacíficos". Ontem, Medvedev também inspecionou, ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, duas das quatro embarcações russas que chegaram a portos venezuelanos para realizar manobras militares conjuntas no Caribe. Estados UnidosOs exercícios e a visita de Medvedev são vistos como uma provocação aos Estados Unidos - uma resposta ao fato de os norte-americanos terem interferido no conflito na Geórgia e pretenderem instalar um escudo antimíssil na República Checa e na Polônia. Os russos negam que estejam tentando desafiar Washington, mas não deixam de defender abertamente o fim do embargo americano a Cuba.

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