Megaoperação contra máfia prende 89 na Itália

A polícia italiana deteve 89 suspeitos e frustrou os planos da máfia siciliana (a Cosa Nostra) de se reorganizar e formar uma nova comissão para estabelecer as estratégias do grupo criminoso, afirmaram hoje as autoridades do país. A polícia de Palermo disse que a operação, que abrangeu várias cidades da Sicília, foi uma das maiores dos últimos anos e deu aos investigadores um panorama dos altos escalões da máfia. A operação também impediu novas mortes, já que os chefões mafiosos disputavam o controle da comissão. As acusações contra os detidos incluem associação mafiosa, extorsão, tráfico de armas e drogas, informou a polícia em comunicado. A operação, resultado de nove meses de escutas telefônicas que trouxeram à luz os negócios e a estrutura da máfia, contou com a participação de 1.200 policiais, além de helicópteros. Apesar das prisões, ainda há mafiosos soltos. As prisões tiveram como alvo os chefões das famílias locais e os planos de integrantes menos graduados das quadrilhas de restabelecer a comissão, que tomaria decisões importantes da Cosa Nostra, segundo a polícia. Salvatore "Totó" Riina, o chefe dos chefes, liderou a comissão, conhecida como "cupola" até ser detido em 1993. Na época, a comissão decidiu colocar em prática a estratégia de vários ataques contra agentes do Estado, que culminou com as mortes dos magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992.A máfia siciliana vem tentando reestruturar sua hierarquia e superar a desordem em suas fileiras desde que o sucessor de Riina, Bernardo Provenzano, foi detido em abril de 2006. Seus principais conselheiros foram presos dois meses depois. "Se esta operação colocou a Cosa Nostra de joelhos, evitou que ela se erga novamente", disse hoje o procurador nacional antimáfia Pietro Grasso. A operação, chamada Perseu, uma referência ao herói mitológico grego que decapitou a Medusa, "cortou todas as cabeças estrategicamente importantes na nova estrutura de administração que iria deliberar, como já fez, todos os atos importantes do grupo", disse Grasso. Duro golpeO ministro da Justiça, Angelino Alfano, disse que a tentativa do grupo de se reorganizar "mostra que a máfia nunca aceita que foi vencida" e louvou a luta contínua contra o grupo. Alfano está entre os funcionários do governo e associações de familiares de vítimas da ataques da máfia que saudaram as prisões, considerando-as como um duro golpe contra a organização criminosa. Esta tentativa de restaurar a comissão foi organizada por Matteo Messina Denaro, que faz parte do grupo de pessoas que competem pela sucessão de Provenzano, informou a polícia. Messina Denaro é visto pelos investigadores como um forte candidato para o cargo depois que os principais competidores foram detidos. Ele continua foragido.

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