Daniel Leal-Olivas/AFP
Daniel Leal-Olivas/AFP

Meghan Markle, do conto de fadas ao conflito seguindo os passos de Diana

União de uma atriz americana e feminista fervorosa com o neto de Elizabeth II, sexto na linha de sucessão ao trono britânico, parecia destinada a modernizar a imagem da realeza, mas casal seguiu um caminho diferente  

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2021 | 17h30

LONDRES - Do fascínio por sua naturalidade, que levou frescor a uma família real britânica um tanto conservadora, até seu confronto crescente com a 'Firm' - uma expressão irônica usada para se referir à monarquia como um empreendimento lucrativo -, Meghan Markle parece estar seguindo os passos da princesa Diana, morta em 1997.

Seu casamento em maio de 2018 com o príncipe Harry parecia algo retirado de um conto de fadas. A união de uma atriz americana e feminista fervorosa com o neto de Elizabeth II, sexto na linha de sucessão ao trono britânico, parecia destinada a modernizar a imagem da realeza. 

Mas, dois anos depois, Meghan, de 39 anos, abalou a instituição com sua decisão de abandonar suas obrigações reais para se mudar com Harry e seu bebê Archie para o Canadá e depois para os Estados Unidos, onde o casal atualmente trabalha produzindo documentários para Netflix e podcasts para Spotify. 

E agora, em uma entrevista potencialmente explosiva com a estrela da televisão americana e amiga Oprah Winfrey, programada para ir ao ar no domingo, ela se posiciona contra o Palácio de Buckingham, 'The Firm', acusando-o de dizer "inverdades" sobre ela.

Harry, de 36 anos, a apoiou em tudo, apesar de ter perdido seu título de Alteza Real, seu salário público, boas relações com sua família e suas honras militares muito estimadas.

Ele o fez declarando que queria evitar um novo drama como o vivido por sua mãe, a princesa Diana, que morreu em um acidente de carro em 1997 em Paris após ter rompido com seu marido, o príncipe Charles, e os rigores de uma realeza que não sabia como assimilar sua originalidade e seu glamour.

Sexismo e racismo

No início, Meghan surpreendeu com gestos tão simples como fechar ela mesma a porta do carro, ou ações comprometidas, como sua participação em um livro de receitas elaborado pelos sobreviventes do incêndio em 2017 de um arranha-céu de habitação social em que 71 pessoas morreram, em sua maioria migrantes.

Meghan arregaçou as mangas, vestiu um avental e colocou a mão na massa na cozinha de um centro muçulmano para ajudar a preparar receitas da Europa, Oriente Médio e do Norte da África.

Com sua imagem de modernidade, despreocupação e compromisso social, o casal ganhou muita popularidade. Sua conta do Instagram, aberta em abril de 2019, chegou a um milhão de seguidores em menos de seis horas, um recorde mundial.

Logo ambos começaram a mostrar seu desconforto com o estilo de vida rígido imposto aos membros da realeza britânica, perseguidos por uma imprensa sensacionalista implacável, contra a qual romperam os moldes tradicionais. Um desses momentos foi quando decidiram não apresentar seu primeiro filho Archie, nascido em maio de 2019, na saída da maternidade, como manda a tradição.

Acostumada ao estilo de vida de uma rica atriz americana, Meghan também foi criticada por uma viagem luxuosa a Nova York para receber presentes de suas amigas, incluindo a advogada Amal Clooney e a tenista Serena Williams.

O príncipe Harry denunciou "o sexismo e o racismo" contra sua mulher nas redes sociais, como o tuíte de um apresentador da BBC que, após o nascimento de Archie, escreveu "o bebê real sai do hospital" junto com a foto de um casal que dava as mãos a um chimpanzé. Foi imediatamente demitido.

A tensão foi aumentando e, em janeiro, o casal provocou um terremoto ao anunciar que estavam deixando seu lugar de primeiro plano na família real britânica.

Perderam seus títulos de altezas reais, seu subsídio público, os cargos honorários militares de Harry e o respeito de muitos que os acusaram que querer continuar se aproveitando de sua condição financeira.

Após uma breve passagem pelo Canadá, foram morar na Califórnia, onde Meghan cresceu e tem contatos profissionais.

Mas foi também ali onde, em julho, a duquesa de Sussex sofreu o aborto natural que ela mesma relatou nas páginas do jornal The New York Times, em um gesto contrário ao seu habitual receio de expor sua vida privada. 

Perder uma gravidez é uma "dor insuportável" e um assunto que ainda é "tabu", "impregnado de (uma desnecessária) vergonha, que perpetua um ciclo de luto solitário", escreveu.

Escravos e um rei 

Filha de Thomas Markle, um diretor de iluminação que ganhou um Emmy por seu trabalho na série Hospital Geral, e de Doria Ragland, assistente social e professora de ioga, Meghan nasceu em 4 de agosto de 1981 em Los Angeles.

Por parte de mãe, descende de escravos negros das plantações de algodão da Geórgia, no sul dos Estados Unidos. Por parte de pai, do rei Roberto I da Escócia, que reinou entre 1306 e 1329.

Seus pais se separaram quando ela tinha 2 anos e se divorciaram cinco anos mais tarde.

Markle se formou em teatro e relações internacionais na Northwestern University, perto de Chicago, o que a levou a seis semanas de práticas na Embaixada dos EUA na Argentina.

A atriz alcançou a fama trabalhando na série Suits, sobre um escritório de advocacia de Nova York. Antes de Harry, ela foi casada com o produtor Trevor Engelson, de quem se divorciou após dois anos de matrimônio.

Velhos amigos a acusaram de negligenciá-los à medida que avançava na vida. Seus dois meio-irmãos, que não foram convidados para o casamento, criticaram-na ferozmente, sugerindo que ela teria vergonha deles. O difícil relacionamento com seu pai também gerou muita polêmica./AFP 

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