Phil Noble/Pool/Reuters
Phil Noble/Pool/Reuters

Meghan Markle revela que sofreu aborto espontâneo

Em artigo publicado no The New York Times, duquesa de Sussex detalha luto pela perda do 2º filho e critica tabu em se falar sobre o tema: 'ciclo de luto solitário'

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 08h21
Atualizado 25 de novembro de 2020 | 23h59

A duquesa de Sussex, Meghan Markle, revelou que sofreu um aborto espontâneo no mês de julho. Em artigo publicano no The New York Times nesta quarta-feira, 25, Meghan escreveu um relato pessoal contando sobre a sua experiência como mãe, o processo de luto e a dor da perda.

No artigo intitulado "The Losses We Share" (As perdas que compartilhamos, em tradução livre), a atriz - casada com o príncipe Harry - conta que o aborto aconteceu quando cuidava do filho Archie. "Eu sabia, enquanto agarrava meu primeiro filho, que estava perdendo meu segundo filho", escreveu.

Meghan também disse que a dor da perda do filho foi "quase insuportável" e criticou o silêncio e o tabu em se conversar sobre o tema com mulheres que passaram por experiências semelhantes. "Talvez o caminho para a cura comece com três palavras simples: você está bem?"

"Perder um filho significa carregar uma dor quase insuportável, vivida por muitos, mas falada por poucos. Na dor de nossa perda, meu marido e eu descobrimos que em uma sala com 100 mulheres, 10 a 20 delas terão sofrido aborto. No entanto, apesar da impressionante semelhança dessa dor, a conversa permanece um tabu, repleta de vergonha (injustificada) e perpetuando um ciclo de luto solitário", disse.

Os detalhes íntimos compartilhados no artigo fogem da política usual dos membros mais antigos da família real britânica, que não revelam quase nada sobre suas vidas pessoais. A avó de Harry, a rainha Elizabeth, nunca discutiu sua vida privada em nenhuma entrevista à mídia em seu reinado de 68 anos.

Entretanto, Meghan e Harry deixaram de cumprir suas obrigações reais e se mudaram para os Estados Unidos no início deste ano. Eles vêm tentando criar um novo papel, fora das restrições da vida real britânica.

Breonna Taylor, George Floyd e polarização

Durante o artigo, Meghan fala sobre a importância das pessoas estarem conectadas e atentas as dores do próximo. Para isso, cita como exemplos alguns acontecimentos dos últimos meses, como a pandemia do novo coronavírus, o resultado das eleições americanas e as mortes de Breonna Taylor e George Floyd.

"Uma mulher jovem chamada Breonna Taylor vai dormir, assim como faz todas as noites, mas ela não vai viver para ver a manhã seguinte porque uma operação policial acaba terrivelmente mal. George Floyd deixa uma loja de conveniência, sem perceber que vai dar seu último suspiro embaixo do joelho de alguém, e, em seus momentos finais, vai chamar pela sua mãe", escreve.

A duquesa de Sussex conclui o artigo com uma mensagem de união. "Estamos nos ajustando a uma nova normalidade em que os rostos são ocultados por máscaras, mas isso nos força a olhar nos olhos uns dos outros - às vezes cheios de calor, outras vezes de lágrimas. Pela primeira vez, em muito tempo, como seres humanos, estamos realmente nos vendo. Estamos bem? Nós ficaremos"./ Com informações da Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.