Mehsud não está mais à frente do Taleban paquistanês, diz Pentágono

Inteligência do Paquistão confirmou na quarta-feira que chefe insurgente está vivo

Reuters e estadão.com.br

29 de abril de 2010 | 15h23

WASHINGTON - O Pentágono anunciou nesta quinta-feira, 29, que o taleban Hakimullah Mehsud não está mais à frente do grupo insurgente no Paquistão. O anúncio dos militares dos EUA ocorre apenas um dia depois de fontes da inteligência paquistanesa confirmarem que o rebelde não morreu em um bombardeio em janeiro, como havia sido anunciado.

 

"Certamente não vemos evidências de que Mehsud está em operação atualmente ou está exercendo autoridade sobre o taleban paquistanês como antes. Não sei se isso reflete se ele está vivo ou não, mas ele claramente não está mais à frente dos insurgentes", disse Geoff Morrell, secretário de imprensa do Pentágono.

 

Nesta quarta, uma fonte do serviço de inteligência do Paquistão disse ao jornal britânico The Guardian ter analisado vídeos do bombardeio de janeiro e disse que outras análises confirmam que Mehsud sobreviveu aos ataques, mas se recusou a dar mais detalhes. "Ele sobreviveu. Sofreu alguns ferimentos, mas está bem", disse a fonte sob condição de anonimato.

 

Mehsud havia sido dado como morto após um bombardeio da Agência de Inteligência Americana (CIA) no Waziristão do Sul em janeiro. Embora o Ministério do Interior paquistanês houvesse confirmado a morte do líder taleban, os serviços de inteligência dos EUA e do Paquistão nunca confirmaram a morte, bem como os insurgentes.

 

O ataque contra Mehsud ocorreu no início de uma ofensiva sem precedentes de aviões não tripulados da CIA no cinturão tribal paquistanês. A agência já realizou 28 ataques do tipo neste ano. Ao longo de 2009, foram 49 bombardeios.

 

Os ataques com aviões não tripulados são criticados pela população paquistanesa por conta do grande número de civis que morrem nesse tipo de ação. A Fundação Nova América informou recentemente que entre janeiro de 2009 e março de 2010, os drones, como são chamados, mataram 690 insurgentes e 181 civis. Segundo a CIA, o número de baixas entre a população foi de apenas 20.

 

A fonte paquistanesa estimou que o número de vítimas civis "estaria entre essas duas cifras", mas insistiu que o sistema de ataques deve ser alterado. "Para os americanos, é um jeito efetivo de fazer as coisas a distância e com poucos danos colaterais. A CIA é totalmente responsável pro isso", disse.

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