Meio milhão de civis fogem de ação contra Taleban no Paquistão

Governo decretou fim de acordo de paz com grupo e ordenou ofensiva para retomar posições em zonas tribais

Agências internacionais,

07 de maio de 2009 | 21h11

 

MINGORA - O governo paquistanês declarou o fim do acordo de paz com o Taleban e ordenou uma ofensiva do Exército para retomar as posições do Taleban no Vale do Swat, perto da fronteira com o Afeganistão, provocando a fuga de 500 mil pessoas, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). "Foi dada a ordem ao Exército para eliminar os terroristas e militantes", disse o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Reza Gillani, em pronunciamento pela televisão.

 

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A nova ofensiva das forças paquistanesas teve início na quarta-feira, enquanto o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, se reunia, em Washington, com seus colegas americano, Barack Obama, e afegão, Hamid Karzai. Há semanas os EUA vinham cobrando uma ação mais enérgica do governo paquistanês contra os insurgentes. Em resposta, Islamabad começou a enviar, desde o dia 26, reforço de tropas à região.

 

Os ataques desta quinta-feira, 7 - que contaram com o reforço de intensos bombardeios aéreos - foram concentrados nos distritos de Dir, Shangla e Buner, no Vale do Swat, onde o Taleban tenta expandir sua presença desde fevereiro, quando - após um acordo com o governo central - estabeleceu a lei islâmica (Sharia) nas áreas tribais.

 

As cifras de militantes mortos nos últimos dois dias oferecidas pelo governo variam de 10 a 64. As baixas registradas nas forças paquistanesas vão de 10 a 35, de acordo com diferentes fontes. O CICV advertiu nesta quinta-feira para o risco de uma crise humana no Vale do Swat e disse estar preparando seu hospital em Peshawar para atender a até 100 feridos de guerra ao mesmo tempo

 

Em Mingora, principal cidade do Vale do Swat, centenas de famílias tentavam fugir do fogo cruzado entre o Exército e os rebeldes carregando seus pertences em carros, ônibus e tratores. Mas muitos seguiam a pé pelas estradas da região. Num hospital de Mardan, centenas de pessoas se aglomeravam para pôr seus nomes numa lista de candidatos a receber tendas e outros itens de ajuda humanitária.

 

Alguns moradores reclamavam que o Taleban havia bloqueado as estradas que dão acesso à região, impedindo a saída de um número ainda maior de civis. "Estou desamparado, frustrado e preocupado com a minha família", disse Ayaz Khan. Ele tentou fugir de carro na quarta, mas encontrou as ruas bloqueadas com troncos de árvore e pedras.

 

Khushal Khan, dirigente local do Vale do Swat, disse que o governo não está orientando as pessoas a deixarem a região, mas oferece ajuda aos que tentam partir. "Ainda há comboios militares a caminho. Uma vez que isso termine, o transporte público terá condições de circular na cidade", disse Khan. "Enquanto isso, estamos oferecendo toda a ajuda possível às pessoas que queiram sair" da zona afetada pelos confrontos.

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