Meio milhão de pessoas passam fome em Angola, diz MSF

O governo de Angola é culpado de "negligência criminosa e crônica contra seu povo" por deixar mais de meio milhão de pessoas passarem fome no país, acusou hoje o grupo de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo o grupo, a desnutrição neste país rico na produção de petróleo e na exploração de diamantes no sudeste da África é a pior presenciada por sua equipe desde a fome devastadora que afetou o Sudão em 1998. "O mundo está permitindo conscientemente que os angolanos morram de fome", afirmou o doutor Morten Rostrup, presidente da MSF internacional."Se as autoridades angolanas, as agências da ONU, a comunidade internacional e os países doadores não responderem imediatamente a esta crise, cerca de 500 mil angolanos estão ameaçados pela fome e pelas doenças", alertou. A agência humanitária declarou ser inaceitável a resposta lenta do governo local e da Organização das Nações Unidas ao grave quadro constatado em Angola.Sem responder diretamente à acusação, o governo angolano culpou a comunidade internacional por não conseguir ajudar o país a enfrentar a crise humanitária, publicaram hoje jornais locais.As autoridades locais vêm sendo pressionadas por um número inesperadamente elevado de rebeldes da Unita que chegam aos campos de desmobilização precisando de comida e tratamento médico, informou hoje a agência portuguesa Lusa, citando João Lourenço, um funcionário do governo que concedeu entrevista a uma rádio angolana.

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