Meios de comunicação venezuelanos acusam governo

Os meios de comunicação da Venezuela protestaram contra a intimidação governamental sobre o setor, depois que centenas de partidários do presidente Hugo Chávez cercaram várias sedes de jornais e emissoras e saquearam uma estação de televisão regional. O governo, entretanto, disse estar pronto a discutir "um itinerário" eleitoral para resolver a crise, disse o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria. A greve geral, que entrou nesta terça-feira em seu nono dia, afetou a produção da indústria petrolífera, que gera mais de 30% da receita do governo e representa 70% das divisas geradas pelas exportações do país. O canal de notícias Globovisión e outros meios de comunicação privados foram alvo de protestos na segunda-feira à noite, que incluíram a destruição de instalações de uma filial dessa televisão em Maracaibo, cerca de 650 km a oeste da capital. Trabalhadores da área de comunicação atribuíram o violento ataque a partidários de Chávez. O mandatário acusa a imprensa de apoiar a greve geral que busca derrubá-lo. Os protestos ocorreram depois que a televisão e emissoras de rádio estatais convocaram os partidários de Chávez a "defender a democracia" nas ruas e diante dos principais meios de comunicação. "Que sejam fechados", gritavam os manifestantes diante da filial da rede Globovisión na segunda-feira. Por seu lado, hoje, ativistas da oposição marcharam ao redor de uma base aérea militar da capital gritando slogans contra Chávez, exigindo sua saída do poder e prometendo realizar "cercos" em outros quartéis do país. Gaviria expressou sua " profunda preocupação" com os protestos e exigiu ação do governo para pôr fim às agressões. "Quero expressar minha mais enérgica condenação a esses atos que colocam em risco a liberdade de expressão na Venezuela", afirmou. A Globovisión indicou que os ativistas pró-Chávez irromperam em seus estúdios, no Estado ocidental de Zulia, destruindo janelas, equipamentos e mobiliário. O embaixador americano, Charles Shapiro, expressou a preocupação de seu governo com a escalada da violência e condenou "qualquer tentativa de intimidar os meios de comunicação". Declarou seu apoio aos esforços de Gaviria e dos venezuelanos comprometidos com a busca de "uma solução pacífica, democrática, constitucional e eleitoral" para a crise na Venezuela. O deputado governista Nicolás contestou a atitude da oposição de responsabilizar Chávez por organizar a violência e acusou os líderes opositores de incitarem os simpatizantes do governo à violência com declarações incendiárias que "deixam claro que o plano é o de derrubar o presidente". Após os discursos oposicionistas "de caráter insurrecional, houve uma explosão social, uma insurreição espontânea e pacífica da população", afirmou. "As pessoas reagiram e se lançaram às ruas", acrescentou. O diretor da Globovisión, Alberto Federico Ravell, qualificou o incidente de segunda-feira como uma "ação violenta que busca amedrontar". "Sabíamos que a cúpula do governo tramava alguma coisa quando, à tarde, confirmamos a retirada das patrulhas da Disip (a polícia política) que desde a semana passada estavam diante das portas das emissoras e jornais", comentou. A crescente paralisação do país fez crescer a pressão sobre Chávez para que ceda diante da oposição - que lhe pede que convoque eleições antecipadas, ou renuncie. A oposição quer que Chávez se afaste da presidência, argumentando que ele colocou a democracia em perigo devido ao que considera as tendências autoritárias do mandatário. Os oposicionistas o acusam de querer impor políticas socialistas, incentivar a divisão de classes sociais e administrar mal a economia.

Agencia Estado,

10 Dezembro 2002 | 18h42

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