Meirelles descarta mudança em compulsório no Brasil

Presidente do BC segue a linha do G-20 e avalia que é cedo para retirar estímulo adotado no auge da crise

, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, avalia que ainda não é hora de voltar a elevar os depósitos compulsórios no Brasil. No auge da crise, a instituição liberou uma parte desses recursos para aliviar a escassez de crédito no País. A avaliação segue a linha adotada pelas autoridades do G-20 neste sábado, que determinou a manutenção das políticas de estímulos até que a recuperação esteja assegurada.

A retomada da atividade brasileira já levanta expectativas sobre a reversão de medidas implementadas durante o auge da crise, entre elas a liberação dos compulsórios. Mas Meirelles disse que ainda é prematuro adotar estratégias de saída. "O crédito está retornando, mas ainda não atingiu o nível de crescimento anterior", afirmou em Londres, após a conclusão da reunião de ministros e presidentes de bancos centrais do G-20, como preparação para a cúpula dos dias 24 e 25 de setembro em Pittsburgh, nos EUA.

Conforme o presidente do BC, a prioridade agora é garantir uma rota de crescimento sustentável. Portanto, é necessário que os estímulos sejam mantidos até que a retomada se mostre mais segura. Segundo ele, o acompanhamento dos indicadores brasileiros que apontarão o momento para a reversão dos estímulos é feito diariamente, com muito cuidado e "carinho", tanto pelo BC como pelo Ministério da Fazenda.

Meirelles também avaliou que as estratégias de saída vão variar entre os países, conforme as medidas tomadas durante a crise. Ele acredita que alguns processos ocorrem naturalmente, pela própria redução da procura da ajuda já colocada à disposição. É o caso, por exemplo, dos recursos das reservas brasileiras liberados para os exportadores. "Continuamos prontos e abertos, mas a demanda está caindo porque o financiamento tradicional está sendo retomado."

REFORÇO DE CAPITAL

Ele comentou que os bancos brasileiros devem fazer adaptações formais às novas regras internacionais que estão sendo discutidas no âmbito do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), com o objetivo de reforçar o capital das instituições e impedir novos problemas. As novas normas caminham para a adoção de um funcionamento contracíclico do capital dos bancos, com a criação de colchões amortecedores para os momentos de expansão, a serem usados nas épocas de retração econômica.

As instituições brasileiras já funcionam com uma adequação de capital mais forte do que a exigida internacionalmente, um dos motivos apontados para o desempenho mais favorável do País durante a crise. O índice de Basileia prevê a necessidade de capital de 8% dos ativos. O Brasil adota 11%.

Para ele, uma mostra da situação mais saudável do mercado brasileiro é a decisão do banco espanhol Santander de realizar uma oferta pública de ações no País. "É interessante observar que uma grande instituição financeira internacional escolhe como estratégia de captação uma colocação no Brasil. Isso mostra o papel do país na recuperação mundial."

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