Brendan Smialowski / AFP
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Melania Trump usava e-mail pessoal quando já era primeira-dama, diz jornal

Ex-conselheira relata que a primeira-dama trocava mensagens por aplicativos criptografados e não usava os meios oficiais do governo americano

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 09h45
Atualizado 02 de setembro de 2020 | 17h10

WASHINGTON - A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, usava regularmente uma conta de e-mail privada da Trump Organization, um e-mail de um domínio MelaniaTrump.com, o iMessage e o aplicativo de mensagens criptografadas, Signal, enquanto já era primeira-dama, de acordo com sua ex-conselheira sênior Stephanie Winston Wolkoff. 

“Melania e eu não usávamos e-mails da Casa Branca”, disse Winston Wolkoff em entrevista ao The Washington Post após a publicação do livro 'Melania e eu: a ascensão e queda de minha amizade com a primeira-dama'.  

O presidente Donald Trump passou grande parte da campanha eleitoral de 2016 chamando a atenção para a investigação do FBI sobre o uso de e-mail privado por Hillary Clinton enquanto ela atuava como secretária de Estado. Ele chamava o caso de "pior do que Watergate", que derrubou o presidente Richard Nixon anos 1970.

O Washington Post teve acesso a mensagens datadas após o início do governo vindas do e-mail privado e de contas de mensagens usadas por Melania Trump. As mensagens tinham discussões sobre contratações, cronogramas detalhados para o presidente e a primeira-dama durante as visitas a Israel e ao Japão, parcerias estratégicas para iniciativas de Melania e finanças para a cerimônia de posse presidencial.

Winston Wolkoff, uma experiente produtora de eventos da cidade de Nova York, participou do planejamento dessas ações. Os hábitos de uso de e-mail de Melania não foram relatados anteriormente e não estão descritos no livro de Wolkoff. Ela disse ao Washington Post que deixou de fora porque "tinha muito" sobre o que escrever e estava se concentrando em contar a história das interações com a primeira-dama e outras pessoas na Casa Branca.

Membros da administração Trump já enfrentaram investigação por usar e-mail privado. O Comitê de Supervisão da Câmara no ano passado começou a examinar o uso de contas privadas para negócios do governo por Ivanka Trump e seu marido, Jared Kushner. O secretário de comércio, Wilbur Ross, também usou e-mail privado para conduzir negócios governamentais.

Wolkoff afirmou que decidiu discutir o uso do e-mail pessoal da primeira-dama - junto com gravações que fez de conversas com Melania - depois que a Casa Branca atacou sua integridade em resposta ao livro. A ex-conselheira, cujo cargo não era remunerado, teve uma amizade de 15 anos com a primeira-dama, começando em Nova York e continuando até o primeiro ano de Melania na Casa Branca.

Wolkoff conta que se sentiu "traída" quando a primeira-dama não saiu publicamente em sua defesa após uma declaração de imposto de renda do comitê da posse e notícias citarem a empresa de planejamento de eventos que ela e parceiros haviam criado como a destinatária de um pagamento de US$ 26 milhões (R$ 140 milhões).

A maior parte do dinheiro foi usada para pagar um subcontratado independente por algumas transmissões ao vivo de duas horas. Wolkoff ficou com US$ 484 mil (R$ 2,59 milhões) por seus serviços. Ela posteriormente cooperou com várias investigações sobre os gastos na posse de Trump.

A Casa Branca divulgou várias declarações dizendo que o livro está cheio de falsidades. Stephanie Grisham, porta-voz de Melania Trump e chefe de gabinete, chamou o livro de "história revisionista" e atacou o caráter de Wolkoff, sugerindo que escreveu seu livro "com base em alguma necessidade imaginária de vingança".

“Literalmente, todos com quem ela trabalhava eram um obstáculo em sua mente, pessoas que ela menosprezava e culpava por tudo”, escreveu Grisham. “É uma mulher profundamente insegura, cuja necessidade de ser relevante desafia a lógica.”  / The Washington Post 

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