Melhor opção para o futuro pode estar no passado

Com a crise política na Ucrânia chegando ao seu terceiro mês, muitas pessoas, em ambos os lados do conflito, enxergam uma opção em particular como a melhor alternativa para fazer o país avançar: restaurar o modelo de república parlamentar. O desafio de como realizar legalmente tal mudança constitucional, porém, é tão difícil quanto as demais negociações da crise que ameaça a economia e a sociedade da Ucrânia.

CENÁRIO: Sabra Ayres / CS MONITOR - O Estado de S. Paulo,

04 de fevereiro de 2014 | 23h15

Na segunda feira, líderes da oposição anunciaram que tinham apresentado emenda constitucional para a consideração do Parlamento. A aprovação da proposta significaria "o cancelamento dos poderes ditatoriais do presidente, transferindo ao povo ucraniano o direito de governar o próprio país por meio do Parlamento", disse Arseni Yatsenyuk, do partido de oposição Pátria-Mãe.

Hoje, a Constituição da Ucrânia define grandes poderes para o gabinete do presidente. Em conversas entre os líderes da oposição e o presidente Viktor Yanukovich, todos concordaram que restaurar o parlamentarismo - instituído em 2004 e alterado em 2010 - seria um passo na direção de concessões mútuas.

"Qualquer outra solução levaria a um impasse", disse o ex-parlamentar Viktor Medvedchuk à agência de notícias Interfax-Ukraine. Nenhuma das opções parece fácil. Há ainda aqueles que acreditam que Yanukovich e seu Partido das Regiões relutarão em abrir mão dos poderes que têm atualmente.

"Mesmo que a restauração da estrutura parlamentar seja aprovada rapidamente, ela seria apenas um passo, mas não a solução definitiva para superar o impasse na Ucrânia", diz Ievgen Kurmashov, diretor dos programas políticos do Instituto Gorshenin, em Kiev. "O maior problema é que não há solução para a situação."

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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