''Melhor um tremor que uma bomba''

DEPOIMENTO - Tonica Chagas, jornalista

, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

"Pouco antes das 14 horas, o apartamento começou a tremer. Primeiro de leve, alguns segundos depois, mais forte. Todos os espelhos e quadros sacudiam nas paredes. Como a maioria das pessoas que vive em edifícios antigos na cidade, pensei que o prédio onde moro, no East Village, estava desmoronando. Peguei as chaves e saí. Os telefones digitais estavam mudos. No corredor, o artista plástico inglês Wilby Wyndham, de 23 anos, que chegou há uma semana, me disse: "Os prédios estão chacoalhando!". A inglesa Susan Rachel, estudante de química na New York University, que chegava da rua com a mãe, espantou-se ao nos ver assustados. Ele e eu explicamos juntos: "Terremoto!". E as duas, juntas, responderam: "Verdade?". Na farmácia da esquina, Gerri Wells, de 56 anos, chegava do Beth Israel Hospital, onde toma radiação por causa do câncer no seio esquerdo. "Estava na máquina e senti só um tremorzinho", lembrou Gerri. "Então vi que todas as pessoas estavam tentando usar seus celulares, muito assustadas. Quando saí da máquina, eu me apavorei ao ver que tinha várias chamadas da minha filha de 17 anos. Consegui ligar para casa e, quando ela me contou que tinha ocorrido um terremoto, pedi que, se sentisse alguma coisa de novo, saísse para a rua, porque o prédio onde moramos é muito velho." No caminho entre o hospital e a farmácia, Gerri ficou sabendo os detalhes do que havia acontecido. Numa atitude bem nova-iorquina após os atentados que ocorreram na cidade em 11 de setembro de 2001, ela se conformou: "Melhor um terremoto do que uma bomba terrorista"."

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