Amir Cohen/REUTERS
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Melhoria de armamento do Hamas preocupa Exército de Israel

Desde 10 de maio, quando o conflito começou, mais de 3 mil foguetes foram disparados da Faixa de Gaza; ataques surpreendem por força e densidade

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 15h00

GAZA - No poder na Faixa de Gaza e em guerra aberta contra Israel, o movimento islamita palestino Hamas mostrou que pode atacar mais longe e com maior força e criar problemas para o Exército israelense.

O que o início do conflito revela

O Hamas, que controla o enclave sob bloqueio israelense há 15 anos, surpreendeu Israel com o poder e a densidade de seus ataques.

Desde 10 de maio, quando o conflito começou, mais de 3 mil foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra Israel, segundo o Exército israelense.

Desta vez, o Hamas decidiu atacar com rajadas de até 100 foguetes em poucos minutos, com o objetivo de saturar o Domo de Ferro, sistema de defesa antimísseis de Israel.

"O fato mais impressionante sobre essa guerra é como eles foram capazes de disparar tantos foguetes em tão pouco tempo e até mesmo simultaneamente", diz Fabian Hinz, especialista em armas no Oriente Médio.

"O poder de fogo do Hamas, tanto em termos de número de foguetes quanto de alcance, excede em muito os incidentes anteriores", confirmou o International Crisis Group (ICG) em relatório divulgado na última sexta-feira, 14."No nível militar, Israel foi pego de surpresa pelas capacidades operacionais do Hamas", acrescentou o relatório.

O Hamas, que afirma ter foguetes suficientes para dois meses de conflito, usou o míssil Ayyash 250, com alcance de 250 quilômetros, pela primeira vez em um ataque frustrado a Eilat.

De onde vêm as armas?

Até alguns anos atrás, o Sudão apoiava os palestinos, principalmente por meio de fábricas de montagem de armas que eram contrabandeadas através do Egito. A Síria também forneceu foguetes no passado. Mas o Irã está na linha de frente para ajudar os grupos armados palestinos. 

"O apoio aos atores regionais se tornou um pilar essencial da postura militar do Irã", apontou o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) em abril. "As atividades de proliferação do Irã têm como alvo o regime sírio e atores não-estatais", especialmente na Faixa de Gaza, acrescentou em relatório.

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"A abordagem iraniana vai além da transferência de armas. É uma questão de transferência de conhecimento e experiência, de modelos de design e boas práticas", explica à Agência France-Presse um especialista em armas que publica sua investigação na conta do Twitter Calibre Obscura e pediu anonimato.

O Irã produz armas pesadas projetadas para grupos armados leais e "que são facilmente fabricadas e montadas com ferramentas rudimentares", descreve. Israel enfrenta, portanto, um inimigo com "capacidades decentes. Não se trata de foguetes de alta precisão, ou mísseis balísticos, mas de artilharia básica", diz o especialista.

O armazenamento das armas

O Exército israelense afirma que o Hamas possui 15 mil foguetes. Os especialistas consultados pela Agência France-Presse estimaram o número antes do conflito entre 12 mil e 13 mil, o que constitui uma força de ataque considerável.

A capacidade de produção dos palestinos é difícil de avaliar, mas "eles se prepararam muito para este momento", explica o especialista do Calibre Obscura."Eles não querem se ver em uma situação em que fiquem sem projéteis, e seu arsenal foi subavaliado", acrescenta.

De fato, "o Hamas tem uma longa história de fabricação de foguetes, e eles provaram ser racionais, inventivos e criativos", ressalta, lembrando que o grupo recuperou projéteis da Primeira Guerra de um navio afundado ao largo de Gaza.

E se Israel lançar um ataque terrestre?

"A violência pode piorar, se Israel decidir lançar uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza", alerta o ICG.

Gaza tem ruas estreitas e sinuosas, onde travar uma guerra é um pesadelo e onde os habitantes locais têm a vantagem do conhecimento local.

Isso contribuiu para o fato de que, na guerra de Gaza de 2014, o Exército israelense registrou 60 mortes.

"É um combate urbano em um ambiente muito hostil", diz o especialista Fabien Hinz. /AFP

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