Membro da Al-Qaeda é levado a julgamento em Guantánamo

O iraniano acusado de fazer parte da rede terrorista da Al-Qaeda e de executar um ataque de granada no Afeganistão, Abdul Zahir, foi levado à corte militar nesta terça-feira, mas o juiz não irá dizer ao advogado de defesa do acusado que leis irá aplicar no tribunal.Zahir, que é acusado de ter ferido três jornalistas durante um ataque com granadas, não negou as acusações. Logo que a sessão começou o advogado de Zahir, o tenente coronel Thomas Bogar, perguntou ao juiz, coronel fuzileiro Robert S. Chester, que leis ele utilizaria no tribunal. Chester respondeu que "obviamente leis militares serão utilizadas, mas também irei aplicar algumas leis federais".Mesmo pressionado pelo advogado de Zahir, Chester disse que não irá "especular sobre que leis estarei seguindo ou não".O promotor encarregado, que não pode ser identificado por motivos de segurança, disse em entrevista que o juiz pode escolher dentre vários modelos de lei "para prover um julgamento justo e completo".Além disso, a comissão militar não forneceu um intérprete para Zahir e também não lhe deu um resumo das acusações em persa, a língua nativa de Zahir. Os funcionários da comissão militar não souberam responder porque nenhum intérprete estava disponível e que um estaria presente para o uso da promotoria.Os procedimentos acabaram no final do dia e o juiz disse que a corte continuaria com o processo no dia 10 de julho para discutir a data do julgamento final. O time de defesa de Zahir disse que irá ao Afeganistão coletar evidências, mas não foi especificado quais serão tais evidências.Tribunal mal organizadoUm professor da Universidade de Direito de Chicago, David Scheffer, diz que o tribunal está mal organizado e que mesmo a acusação de conspiração, por exemplo, não é considerada um crime de guerra. Scheffer é ex-embaixador dos EUA para questões de crimes de guerra."Tecnicamente, o governo deveria o acusar de participação em ações criminais, ou, se os fatos indicarem, colaborador ativo", disse Sheffer à Associated Press. "Mas isso iria gerar outros tipos de evidências, que pode ser o que o governo não quer, pois dificultaria os procedimentos".Al-Qaeda e TalebanZahir foi tradutor para o regime Taleban no Afeganistão em 1997, e depois trabalhou como intérprete e assessor de Abdul Hadi al-Iraqi, comandante da Al-Qaeda, disse o governo americano.Mais tarde Zahir chegou a se tornar mais ativo na Al-Qaeda, disse o governo dos EUA. No começo de 2002, Zahir se juntou com al-Iraqi para planejar bombardeios contra as forças americanas e civis estrangeiros no Afeganistão, disse o exército.Zahir foi capturado em julho de 2002, três meses após o ataque aos jornalistas. No ataque Zahir e mais outros dois terrorista jogaram uma granada dentro do carro da jornalista correspondente do Toronto Star, Kathleen Kenna, que sofreu graves ferimentos nas pernas.O terrorista também é acusado de produzir panfletos anti-americanos para recrutar afegãos que viviam perto da embaixada americana em Cabul e também os que moravam perto de quartéis americanos para executar ataques terroristas.Cerca de 500 detentos são mantidos na base naval americana de Guantánamo, sul de Cuba. Os Estados Unidos processam 10 deles.

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