Membro da Irmandade Muçulmana vai disputar presidência do Egito

Um membro sênior da Irmandade Muçulmana do Egito vai tentar concorrer à presidência como candidato independente, uma decisão que pode atrair simpatizantes do grupo islâmico que tinha anunciado anteriormente que não planejava concorrer.

MARWA AWAD E ABDELRAHMAN YOUSSEF, REUTERS

12 de maio de 2011 | 10h57

Grupos seculares e o Ocidente estão preocupados com o poder que a Irmandade pode ganhar nas primeiras eleições desde a queda do ex-líder Hosni Mubarak. Décadas de regime autoritário limitaram o desenvolvimento de rivais potenciais pelo cargo.

O maior movimento islâmico do Egito tentou minimizar os temores ao dizer que não iria concorrer à presidência na eleição marcada para o início do próximo ano, nem buscaria a maioria no parlamento, garantindo que ia disputar apenas a metade das vagas.

No entanto, Abdel Moneim Abul Futuh, um dos líderes do grupo e reformista, disse à Reuters: "Vou concorrer como um candidato independente nas eleições presidenciais. Não sou membro de nenhum partido".

Abul Futuh disse que a sua decisão não significa que a Irmandade voltou atrás nas suas declarações. "A Irmandade como um grupo não está competindo pela presidência e agora está separando os seus mandatos, uma definição que eu pedi quatro anos atrás", disse, referindo-se a um novo partido político que a Irmandade criou.

Sob o regime de Mubarak, o grupo apresentou candidatos como independentes em eleições, driblando a proibição a suas atividades políticas e mantendo uma organização nacional que outros grupos não tinham.

O conselho militar, que está no governo até a eleição do novo presidente, disse que o Egito não vai se transformar em uma teocracia similar a do Irã.

Uma pesquisa publicada em 22 de abril no jornal estatal Ahram apontou Abul Futuh e o chefe da Liga Árabe Amr Moussa com as maiores intenção de votos com 20 por cento, enquanto Mohamed ElBaradei, diplomata da ONU aposentado, tem 12 por cento.

Um membro sênior da Irmandade disse que a decisão de Abul Futuh foi pessoal e que o grupo não iria apoiar a sua candidatura. "A decisão de Abul Futuh contraria a decisão oficial da Irmandade", disse Sobhi Saleh, um dos líderes da Irmandade em Alexandria.

Abul Futuh disse que seria capaz de curar as divisões entre muçulmanos e a minoria cristã no Egito, apesar dos conflitos no Cairo neste mês que mataram 12 pessoas.

"Essa violência sectária me deixa ainda mais determinado a buscar a presidência. Conforme surgem indivíduos fundamentalistas no período de transição, o país precisa de alguém que está mais conectado com as áreas muçulmana, cristã e liberal do espectro político", disse.

Abul Futuh disse que o futuro do Egito será definido pelos egípcios, não pelos temores ocidentais.

"Agora que os egípcios conseguiram recuperar o país que tinha sido roubado deles, ninguém além deles pode determinar o seu futuro. Os egípcios vão definir quem será o líder e nenhuma pressão estrangeira vai dizer quem estará à frente do novo Egito", disse.

Ele acrescentou: "É necessário ter boas relações bilaterais, mas o Ocidente não vai nos dominar".

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