Membro do PC Cubano é condenado por tráfico de influência

Em uma decisão sem precedentes, um importante dirigente do Partido Comunista de Cuba foi condenado a 12 anos de prisão por tráfico de influência, informaram nesta quarta-feira meios de comunicação oficiais. Trata-se de Juan Carlos Robinson Agramonte, durante anos secretário em várias províncias e até abril um dos 24 membros do comitê central do partido. É a primeira condenação de um importante dirigente cubano após o anúncio do presidente Fidel Castro, no final do ano passado, de uma campanha contra os "novos ricos" e combatendo o mercado negro e a corrupção nos quadros do partido.Segundo a sentença, Agramonte, de 49 anos, abusou de seus cargos para obter benefícios para si. Não são especificados, porém, quais foram esses benefícios ou os métodos utilizados pelo réu.O caso de Agramonte foi tornado público quando, em abril, um comunicado do PC cubano anunciou sua destituição do cargo e a existência de uma investigação sobre o dirigente.O julgamento ocorreu no dia 16 de junho, segundo nota divulgada nesta quarta-feira pelo bureau político do partido no jornal oficial Granma. O informe diz que Agramonte assumiu a culpa pelas acusações e "agradeceu o tratamento recebido" durante o julgamento. Além da reclusão de 12 anos, o réu perdeu o direito de votar e de ocupar cargos de direção no partido pelo mesmo período."Na sentença ditada ficou demonstrado que Robinson Agramonte, em franco processo de enfraquecimento ideológico, com abuso de seu cargo, esquecimento de suas altas responsabilidades e da probidade exigida para um quadro revolucionário, fez uso de suas influências com o propósito de obter benefícios", destacou o comunicado publicado pelo Granma.O comunicado do partido diz que a prisão do dirigente serve como exemplo para que se respeite a lei. Os faltosos, segundo o documento, irão "sentir o peso da justiça revolucionária".O último caso em que um importante membro do partido foi expulso ocorreu em 2002. Roberto Robaina, o Robertico, popular dirigente juvenil que foi nomeado chanceler em 1993, foi deposto de seu cargo ministerial em 1999. Robaina ainda manteve o posto no Gabinete Político do partido, mas foi afastado em 2002 por problemas de "lealdade". Hoje, é funcionário do Parque Metropolitano de Havana.

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