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Membros da campanha de Santos negam relação com Odebrecht

Segundo ex-senador preso, empreiteira destinou US$ 1 milhão em propina para reeleição do presidente da Colômbia

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2017 | 04h52

BOGOTÁ - Membros da campanha à reeleição em 2014 do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, negaram nesta quinta-feira, 9, ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht.

O mais contundente pronunciamento foi do empresário Andrés Giraldo, a quem o ex-senador Otto Bulla, detido por ter recebido subornos da construtora, disse ter entregue US$ 1 milhão em propina para que ele repassasse ao tesoureiro da campanha, Roberto Prieto.

"Estou disposto a ir ante um detector de mentiras. Não recebi dinheiro de Otto Bula", afirmou Giraldo em uma entrevista à Blu Radio. 

O empresário reconheceu que teve uma reunião com o ex-senador posteriormente ao período de campanha eleitoral. Ele negou ainda que tenha tratado com Bula qualquer assunto sobre "obras e projetos de rodovias".

As ramificações políticas do escândalo cresceram nesta quarta-feira, 8, quando o procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, revelou que Bula disse que, dos US$ 4,6 milhões recebidos em propina, US$ 1 milhão era para Prieto.

As investigações na Colômbia se centraram nos milionários contratos obtidos pela Odebrecht para a construção, ainda não concluída, da autopista Rota do Sol II, a melhora da navegabilidade do Rio Magdalena e a realização de obras da Empresa de Aqueduto de Bogotá.

Pelos subornos pagos pela Rota do Sol II estão detidos, além de Bula, o ex-vice-ministro de Transporte Gabriel García Morales que teria recebido US$ 6,5 milhões em propinas.

Prieto, ex-tesoureiro da campanha de Santos, também falou com a imprensa. Ao jornal El Tiempo, ele disse conhecer Giraldo há mais de 20 anos. "Ele é um dos meus amigos pessoais e não teve nenhum vínculo com a campanha de 2014. Eu nem sequer o via, dado o ritmo frenético de trabalho. E lhe digo uma coisa: nem ele nem ninguém recebeu dinheiro em nome, muito menos de um senhor chamado Bula", afirmou.

Os tentáculos da Odebrecht também chegaram até o candidato em 2014 do partido uribista Centro Democrático, Óscar Iván Zuluaga, concorrente de Santos naquela eleição. Segundo revelou recentemente a revista Veja, parte dos honorários do marqueteiro brasileiro Duda Mendonça, responsável pela campanha, foram pagos pela empreiteira brasileira.

Visita. O procurador-geral Néstor Humberto Martínez anunciou nesta quinta-feira que vai viajar na próxima semana a Brasília, onde vai se encontrar com a equipe de investigação da Lava Jato. O objetivo é aprofundar o trabalho de investigação do caso, para o qual se reunirá com seus homólogos do Peru, Equador, Panamá, República Dominicana e Bolívia, além do anfitrião Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

A cúpula de procuradores vai ocorrer na quinta-feira 16 e no dia seguinte Martínez terá um encontro reservado com Janot. A procuradoria colombiana tem até o momento onze investigações no âmbito do caso Odebrecht no país. / EFE

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